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An Education

10/08/2010 às 21:01 em Telinha & Telão

Quando comecei a ler as críticas sobre o filme “Educação”, não me espantei com a quantidade de resenhas que classificaram o filme como sendo somente “morno”: nunca li nenhum romance de Nick Hornby, e, por isso, não tinha grandes expectativas em ver o resultado de seu primeiro roteiro criado para as telonas. Havia me atraído de certo modo, mas não me motivou a assisti-lo em tela grande.

Há pouco tempo, resolvi finalmente conferir a produção, e agora me sinto realmente um tanto surpreso. Não sei dizer se estou fazendo barulho demais por nada, mas… como pode tanta gente ter achado o filme tão comum ou, pasmem, frio?

“Educação” não é uma obra prima do cinema. É, definindo de forma superficial, um filme sobre ritos de passagem, e nós já vimos essa fórmula diversas vezes antes: para alguns, pode ser algo batido, mas ele é certamente um dos melhores lançados recentemente nessa categoria. E acrescenta reflexões sinceras sobre o tema.

A história, baseada na vida da jornalista Lynn Barber (que colaborou com o roteiro do filme) traz Jenny, interpretada pela Carey Mulligan, como protagonista. A moça, uma adolescente vivendo na Londres de 1960, tira notas sensacionais, não desobedece seus pais, mostra vocação para a música clássica, e outras diversas características que a tornariam a filha dos sonhos.  Mesmo com tantos requisitos, não se sente satisfeita com seu cotidiano: oprimida pelos planos que seus pais lhe impõem, frustra-se também com os padrões de seu colégio e com as pessoas que lá estudam.

Um dia, durante uma chuva repentina, David (Peter Saarsgard), um homem mais velho e se relacionar com essa figura que possui o dobro de sua idade e que lhe apresenta outras possibilidades de vida, chances de ter contato com coisas que anteriormente ela sempre havia almejado e a visão clara de que – agora, devo soltar uma frase que mostra um clichê da trama (ou de nossas vidas?): ela irá descobrir que aquilo que mais desejamos – e o caminho que percorremos para chegar até isso – não é sempre como nós esperamos.

O “mundo” de Jenny é derrubado e reconstruído várias vezes a cada nova descoberta pessoal, e, se você tem ou já teve vontade de tomar rumos diferentes em sua vida, mas não pode por qualquer motivo que seja, entenderá seus dilemas. A garota, ainda muito jovem,  aprenderá a fazer concessões, uma ou outra lição sobre decepcionar-se e por mais imatura e impulsiva que pareça em alguns pontos da trama, é difícil não torcer por ela e que consiga localizar-se no meio de sua bagunça – e a dos outros também.

Carey Mulligan – indicada ao Oscar de Melhor Atriz 2010 por esse papel – está fantástica em cena. É comovente assisti-la atuando: em alguns momentos, consegue fazer nosso peito ficar mais apertado somente com um olhar e vive com maestria os altos e baixos de uma jovem que é forçada por um turbilhão de vivências e sentimentos a buscar respostas essenciais para sua vida em um curto espaço de tempo.

O resto do elenco também parece ter sido escolhido a dedo para seus respectivos personagens. Peter Sarsgaard convence como o intrigante par romântico de Jenny, e lhe dá um tom sombrio muito bem colocado. Alfred Molina, enche o pai da moça de personalidade, tornando-o, assim como sua filha, detestável e adorável em diferentes momentos.

O cast conta ainda com Olivia Williams, Rosamund Pike (cativante e super à vontade no papel de uma mulher frívola e sem idéia do quanto é subestimada) Dominic Cooper e uma Emma Thompson discreta, que protagoniza ao lado de Carey Mulligan um sensacional embate verborrágico em uma das cenas, com sacadas tão boas que você fica até boquiaberto.

Vale fazer um adendo nesse ponto: Nick Hornby conduz a história de forma ágil, inteligente, bem humorada e tocante sem nunca ser piegas. Os diálogos amarrados por ele te deixam preso na cadeira até o fim da produção. Disse no início que nunca li nenhuma obra sua, mas se depender da minha empolgação pós-“Educação”, vou procurar algo do cara o mais rápido possível.

É, genuinamente, um filme que possui coração próprio; uma celebração ao ímpeto juvenil que o ser humano possui, numa fase de sua vida ou ao longo de sua existência, de querer descobrir tudo o que pode pra ontem. Jenny divide-se entre o vivenciar a educação formal das salas de aula ou a educação da vida, ao lado de um homem e cercada por pessoas mais velhas. Por qual dos dois ela opta eu não direi, mas a gente conclui que somente uma das alternativas não oferece aquilo que alguém precisa.

E isso não vale apenas para Jenny: todos os personagens questionam, em algum momento, o papel que a educação (qualquer uma delas) possui em suas vidas. Todos possuem falhas notáveis sob diversos pontos e acreditam em suas próprias formas de viverem a vida, em seus escapismos. Chocam-se ao descobrir que mesmo com muita prática, ainda se perdem em seus caminhos. Assim como uma lição escolar, escolher o melhor deles é questão de prática e de possuir uma certa fibra. E sim: todos nós precisamos de educação. Sabe-se lá de onde!

An Education, Lone Scherfig, 2009.
Educação. Com Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Alfred Molina, Dominic Cooper, Rosamund Piker, Olivia Williams, Sally Hawkins e Emma Thompson.

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Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief

15/02/2010 às 12:08 em Telinha & Telão

Se reunirmos tudo que vem sendo dito sobre Percy Jackson e o Ladrão de Raios chegaremos em 3 pontos principais:

1. Ele é o novo Harry Potter.
2. Não há nenhum respeito pelas figuras mitológicas retratadas.
3. O filme não engrena: não emociona, não empolga.

O mais absurdo nisso é que por mais que repitam tudo isso, é tudo mentira.

Primeiro porque essa coisa de comparação rasa com Harry Potter é coisa de crítico preguiçoso. Só porque o filme é baseado num livro infanto-juvenil de sucesso e lida com um universo fantástico não quer dizer que haja uma ligação, porque se assim fosse, Preciosa seria a mesma coisa que Amor Sem Escalas, já que os dois são baseados em livrinhos “dramáticos”.

Segundo que Percy Jackson não tem porque ter compromisso com o classicismo grego, já que seu enredo não é baseado na Odisséia ou nas histórias clássicas e sim no livro Percy Jackson e os Olimpianos, de Rick Riordan. Não li o livro, mas através de uma breve pesquisa pude constatar que o grande diferencial da série é justamente mesclar o mundo contemporâneo com a mitologia clássica. E partindo dessa premissa, Percy Jackson e o Ladrão de Raios faz isso com louvor.

Por último, mas não menos importante, o filme engrena sim e logo nos primeiros minutos. O grande responsável por isso é Chris Columbus, diretor do longa. Chris que tem em seu gene a mesma qualidade que fez de Steven Spilberg uma lenda prova mais uma vez seu talento para contar histórias. Pegue por exemplo seus trabalhos como roteirista nos anos 80 (Os Goonies, Gremlins e Uma Noite de Aventura) ou seus divertidos e despretensiosos filmes dos anos 90 (Esqueceram de Mim, Uma Babá Quase Perfeita e Lado a Lado) e confira que os protagonistas valentes e aventuras cheia de ritmo são marcas constantes em seus trabalhos. E com Percy Jackson não é diferente.

Sem perder tempo com explicações e blá blá blá, somos apresentados a Percy Jackson, um garoto desajustado e dislexo que vive com a mãe (interpretada pela sempre ótima Catherine Keener) e seu odioso padrasto. Logo descobrimos – junto com Percy – que ele na verdade é um semideus, filho de Poseidon e está no meio de uma batalha que envolve muitos interesses: o Raio de Zeus (a mais poderosa arma já criada) foi roubado e Percy é o principal suspeito.

Acompanhado de seu melhor amigo e protetor Groover (Brandon T. Jackson) e Annabeth Chase (Alexandra Daddario), filha de Atena, Percy parte em uma missão que tem como objetivo ir a Terra dos Mortos e resgatar sua mãe rapitada por Hades, ao mesmo tempo em que deve encontrar o Raio. No meio do caminho sobram referências pop e participações deliciosas, como a de Uma Thruman – quanto menos você souber é melhor, acredite -, Pierce Brosnan, Rosario Dawson e o super divertido Steve Coogan. A trilha sonora acompanha o filme de maneira óbvia mas funcional. É admirável como eles conseguiram colar AC/DC, Lady GaGa e Ke$ha de um jeito tão bem humorado.

É claro que Percy Jackson tem defeitos -e não são poucos-, mas a soma geral é tão positiva que eles se tornam quase nulos. Quase. Porque é bem que é complicado conceber que Percy tenha superado a morte de sua mãe tão rapidamente quando ele achou que ela tinha falecido- isso não é spoiler, eu juro! – ou que todos os pontos que eles precisou ir em sua jornada- inclusive a Terra dos Mortos e o Olimpo- ficassem nos EUA. Mas como eu disse, no geral o saldo é positivo.

Os 121 minutos do filme passam rápido e ele diverte. Os bons efeitos especiais não soam exagerados, o roteiro, embora falho, funciona e as personagens principais são carismáticas e divertidas. Destaque especial para Logan Lerman como Percy Jackson e Rosario Dawson como Perséfone, totalmente à vontade no papel.

Se quiser um conselho, assista o filme tendo em mente o que ele realmente é: um passatempo divertido e ritmado, como os bons filmes da Sessão da Tarde. Aliás se quer um conselho mesmo, assista o filme sem nada em mente: assim a experiência vai ser boa (mesmo que você a esqueça 15 minutos depois).

Percy Jackson & the Olympians: The Lightning Thief, Chris Columbus, 2010.

Percy Jackson e O Ladrão de Raios. Com: Logan Lerman, Rosario Dawson, Brandon T. Jackson, Alexandra Daddario, Jake Abel, Sean Bean, Pierce Brosnan, Steve Coogan,Catherine Keener, Uma Thruman, Joe Pantoliano e Kevin McKidd.

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O Novo Karate Kid

23/12/2009 às 17:47 em Telinha & Telão

Quem tem mais de 18 anos certamente já assistiu na Sessão da Tarde um clássico chamado Karate Kid.

No filme, Daniel Larusso, mais conhecido como Daniel Sam (Ralph Macchio), convence seu vizinho Miyagi (interpretado magistralmente por Pat Morita, que foi inclusive indicado ao Oscar daquele ano de melhor ator coadjuvante pelo papel) a dar-lhe aulas de karatê para que possa enfrentar os valentões do colégio. Recheado de cenas antológicas e grandes lições de vida, a pequena obra-prima de John G. Avildsen (diretor de responda, responsável por pérolas como Rocky) tornou-se rapidamente cult, além de apresentar para o mundo a bela Elisabeth Shue.

Ameaçando destruir boas memórias de toda uma geração, em julho deste ano a Columbia Pictures divulgou que o filme seria refilmado. Tendo como produtor ninguém menos que Will Smith, inicialmente a película se chamaria Kung Fu Kid. Se não bastasse a mudança no título, a escolha dos protagonistas foi no mínimo duvidosa: no papel do jovem Karatê teríamos Jaden Smith e como o Sr. Miyagi um tal de Jackie Chan. Comandando a produção estaria Harald Zwart, o mesmo diretor do também remake (e terrível, diga-se de passagem) A Pantera Cor de Rosa 2.

Mesmo com todas as críticas dos fãs antigos, o projeto tomou fôlego e ganhou hoje seu primeiro trailer. Por sorte, o horrendo novo título foi substituído para o mesmo que o original: The Karate Kid.  Nele pode-se notar que o longa terá um tom mais juvenil ainda que o original, além da presença encantadora de Taraji P. Henson (a mãe adotiva de Benjamin Button, dO Curioso Caso de Benjamin Button). Confira:

E aí, será que o novo filme vai ser tão bom quanto o primeiro, de 1984? Só saberemos no dia 13 de agosto do ano que vem…

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