Quando comecei a ler as críticas sobre o filme “Educação”, não me espantei com a quantidade de resenhas que classificaram o filme como sendo somente “morno”: nunca li nenhum romance de Nick Hornby, e, por isso, não tinha grandes expectativas em ver o resultado de seu primeiro roteiro criado para as telonas. Havia me atraído de certo modo, mas não me motivou a assisti-lo em tela grande.
Há pouco tempo, resolvi finalmente conferir a produção, e agora me sinto realmente um tanto surpreso. Não sei dizer se estou fazendo barulho demais por nada, mas… como pode tanta gente ter achado o filme tão comum ou, pasmem, frio?
“Educação” não é uma obra prima do cinema. É, definindo de forma superficial, um filme sobre ritos de passagem, e nós já vimos essa fórmula diversas vezes antes: para alguns, pode ser algo batido, mas ele é certamente um dos melhores lançados recentemente nessa categoria. E acrescenta reflexões sinceras sobre o tema.
A história, baseada na vida da jornalista Lynn Barber (que colaborou com o roteiro do filme) traz Jenny, interpretada pela Carey Mulligan, como protagonista. A moça, uma adolescente vivendo na Londres de 1960, tira notas sensacionais, não desobedece seus pais, mostra vocação para a música clássica, e outras diversas características que a tornariam a filha dos sonhos. Mesmo com tantos requisitos, não se sente satisfeita com seu cotidiano: oprimida pelos planos que seus pais lhe impõem, frustra-se também com os padrões de seu colégio e com as pessoas que lá estudam.
Um dia, durante uma chuva repentina, David (Peter Saarsgard), um homem mais velho e se relacionar com essa figura que possui o dobro de sua idade e que lhe apresenta outras possibilidades de vida, chances de ter contato com coisas que anteriormente ela sempre havia almejado e a visão clara de que – agora, devo soltar uma frase que mostra um clichê da trama (ou de nossas vidas?): ela irá descobrir que aquilo que mais desejamos – e o caminho que percorremos para chegar até isso – não é sempre como nós esperamos.
O “mundo” de Jenny é derrubado e reconstruído várias vezes a cada nova descoberta pessoal, e, se você tem ou já teve vontade de tomar rumos diferentes em sua vida, mas não pode por qualquer motivo que seja, entenderá seus dilemas. A garota, ainda muito jovem, aprenderá a fazer concessões, uma ou outra lição sobre decepcionar-se e por mais imatura e impulsiva que pareça em alguns pontos da trama, é difícil não torcer por ela e que consiga localizar-se no meio de sua bagunça – e a dos outros também.
Carey Mulligan – indicada ao Oscar de Melhor Atriz 2010 por esse papel – está fantástica em cena. É comovente assisti-la atuando: em alguns momentos, consegue fazer nosso peito ficar mais apertado somente com um olhar e vive com maestria os altos e baixos de uma jovem que é forçada por um turbilhão de vivências e sentimentos a buscar respostas essenciais para sua vida em um curto espaço de tempo.
O resto do elenco também parece ter sido escolhido a dedo para seus respectivos personagens. Peter Sarsgaard convence como o intrigante par romântico de Jenny, e lhe dá um tom sombrio muito bem colocado. Alfred Molina, enche o pai da moça de personalidade, tornando-o, assim como sua filha, detestável e adorável em diferentes momentos.
O cast conta ainda com Olivia Williams, Rosamund Pike (cativante e super à vontade no papel de uma mulher frívola e sem idéia do quanto é subestimada) Dominic Cooper e uma Emma Thompson discreta, que protagoniza ao lado de Carey Mulligan um sensacional embate verborrágico em uma das cenas, com sacadas tão boas que você fica até boquiaberto.
Vale fazer um adendo nesse ponto: Nick Hornby conduz a história de forma ágil, inteligente, bem humorada e tocante sem nunca ser piegas. Os diálogos amarrados por ele te deixam preso na cadeira até o fim da produção. Disse no início que nunca li nenhuma obra sua, mas se depender da minha empolgação pós-“Educação”, vou procurar algo do cara o mais rápido possível.
É, genuinamente, um filme que possui coração próprio; uma celebração ao ímpeto juvenil que o ser humano possui, numa fase de sua vida ou ao longo de sua existência, de querer descobrir tudo o que pode pra ontem. Jenny divide-se entre o vivenciar a educação formal das salas de aula ou a educação da vida, ao lado de um homem e cercada por pessoas mais velhas. Por qual dos dois ela opta eu não direi, mas a gente conclui que somente uma das alternativas não oferece aquilo que alguém precisa.
E isso não vale apenas para Jenny: todos os personagens questionam, em algum momento, o papel que a educação (qualquer uma delas) possui em suas vidas. Todos possuem falhas notáveis sob diversos pontos e acreditam em suas próprias formas de viverem a vida, em seus escapismos. Chocam-se ao descobrir que mesmo com muita prática, ainda se perdem em seus caminhos. Assim como uma lição escolar, escolher o melhor deles é questão de prática e de possuir uma certa fibra. E sim: todos nós precisamos de educação. Sabe-se lá de onde!
An Education, Lone Scherfig, 2009.
Educação. Com Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Alfred Molina, Dominic Cooper, Rosamund Piker, Olivia Williams, Sally Hawkins e Emma Thompson.









"Thiago, 21 anos, ama cinema e queria que sua vida fosse um filme. Não vive sem música, é viciado em internet e acredita na magia e sedução das SMS's. Ama falsidade, é filho do Ozzy Osbourne e seus exemplos na vida são John Lennon, Paris Hilton e Stefhany. Aliás, ele é lindo e absoluto. Rere."
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"Sanny, 22 anos, é louca pela fama, sucesso e glamour. Já buscou status tornando-se circense, bailarina, cantora e universitária, mas acredita firmemente que vai DAR certo na vida quando se tornar atriz ou encontrar um milionário disposto a casar. Além de toda essa ambição, é uma ótima companhia para sair e beber cerveja discutindo todos os tipos de assunto. Fiz o requisito?"
"Renato, 19 anos, ama palcos, escrever e está no 2º ano de jornalismo. Imita cenas de filmes famosos em público, tem tendências naturais ao drama e é o 'desmancha festinha' na sua turma de amigos. Canta, dança, representa e tá aí com uns projetos. Mantém seus surtos de Becky Bloom sob controle por falta de dinheiro. É apaixonado por música. Sonha montar num touro mecânico, dominar o planeta e fazer as pessoas se identificarem com o mundo na sua cabeça."