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#ÁlbunsRecentes: Emilie Simon – “The Big Machine”

Emilie Simon - The Big Machine

Emilie Simon é conhecida pelo seu pop eletrônico e experimental e por possuir em seu currículo artístico a trilha sonora do documentário “A Marcha do Imperador”, de 2003. Sua música é delicada, sonoramente bastante rica e seus trabalhos são quase sempre conceituais, como o seu terceiro disco de inéditas, “Vegetal”, que tem, como tema, o “mundo das plantas”. Ela constrói “universos” sólidos em seus discos, que parecem bastante estranhos para alguns ouvintes iniciantes, mas que são, na realidade, adoráveis. É como se fosse a trilha sonora de um sonho um pouco sem nexo que você pode ter, ou uma coleção de canções que se encaixaria muito bem num filme do Tim Burton.

Esse ano, ela lançou seu quarto álbum, “The Big Machine”, que, de certa forma, também segue um tema. Emilie, nascida na França, mudou-se para NY depois de uma breve viagem para lá, período em que se apaixonou pela agitação, pela diversidade cultural e pelos ares da cidade. Esse ambiente completamente novo para a artista originaria seu recente disco, que, transmite as variadas sensações ao qual Simon esteve exposta no seu período de adaptação. A “grande máquina” do título, podemos concluir então, se trata da própria cidade de Nova Iorque, novo lar da cantora.

De cara, podemos dizer que o CD é bem diferente dos anteriores. Emilie arrisca novas sonoridades e sua música nunca pareceu tão chamativa. A cantora se aventura por texturas e estilos diferentes e o resultado é surpreendente. Em segundo, as canções em francês ficaram de lado. Exceto em pequenos trechos de algumas delas, você não ouvirá os sussurros de Emilie em seu idioma natal (uma pena!). Alias, você não ouvirá quase nada “sussurrado” em The Big Machine: podemos dizer que a voz da francesinha mudou. Ou que, ao menos, ela está tentando brincar com seus vocais de diversas formas e o resultado, que pode espantar no início, é bastante positivo.

Os instrumentos musicais inusitados, diferente do francês, não foram deixados de lado: cada canção é uma viagem por sons diferentes e inesperados. Instrumentos de sopro, elementos da música oriental e afins se fazem notar sem dificuldades e contribuem para a atmosfera urgente e plural do disco.

 “Rainbow”, a primeira faixa, começa como a anunciação de algo grande que está por vir. Parece nos apresentar à um mundo novo e deve corresponder ao deslumbramento que Emilie sentiu ao conhecer NY, na realidade. A canção é barulhenta e o disco não poderia iniciar de forma melhor. Ela, por sinal, é o segundo single de “The Big Machine” e já possui um videoclipe.

“Dreamland” – primeira música de trabalho lançada – é obscura e ganhou um clipe à altura: dirigido por Asif Mian, nele, a cantora passa por experiências esquisitas dentro de uma casa assombrada. É uma ótima faixa de apresentação do álbum.

emilie simon

Algumas das novas músicas de Emilie Simon foram comparadas à aquelas da cantora inglesa Kate Bush, a criativa e extravagante artista que fez bastante sucesso no início dos anos 90 com canções como a clássica “Babooshka”. “Nothing To Do With You” é a faixa onde a semelhança mais se faz notar. Diferente do restante do disco, ela parece uma gravação genuinamente antiga. Emilie salva a canção, que poderia ser bastante repetitiva se não fosse por seus divertidos graves e agudos, que a tornam dramática e ao mesmo tempo contagiante.

“Chinatown” foi feita em “homenagem” ao bairro onde Emilie estabeleceu-se primeiramente ao chegar em NY, e uma das primeiras músicas do disco que ela apresentou ao público em prévias e performances ao vivo. É um pouco desesperadora, mas possui um clima oriental e bases eletrônicas irresistíveis. É uma mistura que tem a cara de Emilie. Uma das melhores faixas do disco.

 “Ballad of The Big Machine” é outra um tanto quanto “katebushiana” (!) e também uma das mais simples do disco, sem grandes firulas – e isso não a desmerece. É uma ode muito bem executada à um amor surreal que acontece na “grande máquina”– poderia porém, ser um pouco mais curta. Em “The Cycle”, elementos da música oriental aparecem novamente de forma “turbinada”, e a voz de Emilie ecoa – literalmente – pelo insistente refrão. É  ”claustrofóbica” e ótima pra ser ouvida bem alto. “Closer” parece tema de algum desenho animado e é cativante. Em “The Devil At My Door”, a cantora bate papo com o diabo (?) num ritmo pontuado por instrumentos de sopro que ganham cada vez mais força até seu ápice descontrolado, no final da canção.  Pequenos ruídos de fundo tornam a faixa incondível.

Outra das melhores de “The Big Machine”, “Rocket to The Moon” aparece pouco depois e remete à um musical da Broadway – é impossível não se sentir contagiado por ela e não estalar os dedos seguindo o ritmo. “Fools Like Us” e “The Way I See You” que vem logo em seguida, sãos aquelas que estariam mais perto de se encaixar em um dos álbuns anteriores da cantora – mas apesar de boas, parecem fazer o “fôlego” do álbum se perder um pouco. “This Is Your World”, a última faixa, não consegue encerrar o disco com o mesmo impacto do início. Ela termina exatamente quando está ficando melhor. O coro no final (já presente em outras faixas) aqui está mais em destaque ainda: um pouco opressor, ele entoa que não adianta tentar fugir, pois seu lugar é na grande máquina. Duvido muito que a própria Emilie queira sair de sua real “big machine”…

“The Big Machine” é o CD mais ousado de Emilie Simon, e ele, com certeza, divide opiniões. Não é um disco pra ser digerido facilmente – é preciso muita atenção para perceber todas as diversas nuances que ele possui. Como dito, a cantora consegue criar “mundos” bastante próprios em seus álbuns e esse é mais um deles, totalmente novo, oferecido por ela – empolgante, inspirado, exagerado, sombrio.  Os novos ares com os quais a cantora tem tido contato, inegavelmente, estão lhe fazendo muito bem!

Pra completar, confira abaixo os dois clipes de “The Big Machine” lançados até o momento:

 ”Dreamland”

Imagem de Amostra do You Tube

“Rainbow”

Imagem de Amostra do You Tube

#DiscosEssenciais: Alanis Morissette, Jagged Little Pill

Capa de Jagged Little Pill

Em meados dos anos 90 surgia uma artista que iria se tornar um dos maiores nomes da música de todos os tempos. Alanis Morissette ainda era, na ocasião, uma simples cantora de “dance-pop” – promissora, mas nada inovadora. Possuia dois álbuns lançados apenas no Canadá (“Alanis”, de 1991 e “Now Is The Time”, de 1992) que fizeram relativo sucesso por lá. Durante sua adolescência, a cantora e seus pais correram atrás de agentes que estivessem dispostos à dar uma chance a ela, que se apresentava em shows de talento, fazia pontas em séries de TV e utilizava o que ganhava para gravar demos e mostrar seu trabalho, que nem sempre era visto. Foi um mérito grande ter gravado os seus primeiros disquinhos, em parceria com profissionais que conhecera bem nova e que a conduziram por um certo tempo, gerando considerável impacto na jovem artista.

Alanis, por motivos como esses, aprendeu durante todos esses anos de “iniciação” na indústria fonográfica e no mundo artístico, um pouco sobre o universo em que estava entrando. Pôde sentir a intensa pressão dos empresários e o peso de ser uma artista subjugada, por exemplo, mas também a expectativa de poder mostrar seu trabalho para um público que a considerava uma futura revelação. Ao mesmo tempo, enfrentava os “demônios” pessoais típicos de alguém jovem, que ganhavam força devido a essas situações que aconteciam em sua vida.

Ninguém podia, porém, adivinhar o estrondo que seu nome iria gerar dali a poucos anos e que ela faria um dos álbuns femininos mais importantes da história.

Alanis e seu permanente assassino no começo da carreira e em foto da era "JLP".

Alanis e seu permanente assassino no começo da carreira e em foto da era "JLP".

Depois do término do contrato com a MCA Records, que havia lançado seus dois primeiros álbuns, Alanis iria se mudar para Los Angeles, buscando novas colaborações e formas de continuar trabalhando com música. Foi lá que conheceu o produtor Glen Ballard, figura essencial na história artística da cantora e que viria a produzir o disco citado nesse post.

A empatia entre ambos foi imediata: Glen, experiente produtor de discos que já havia trabalhado com artistas conceituados, como Michael Jackson, com o passar do tempo viria a explorar outras vertentes sonoras da cantora e, segundo a própria, iria incentivá-la a expor suas verdadeiras emoções e sentimentos. Ele, sentia-se fascinado pela energia crua e a sinceridade contidas naquela jovem moça. Juntos, comporiam os arranjos que conquistariam as paradas mundiais. Alanis escreveria hinos de libertação própria que fariam pessoas no mundo todo se identificarem com aquela garota astuta e cheia de coisas para dizer.

O processo de gravação foi realizado de forma bastante caseira: mais da metade do CD foi gravada em um estúdio na casa de Glen, e Alanis contou com suportes de peso na banda de apoio, como Flea e Dave Navarro do Red Hot Chilli Peppers. Em 1995, Alanis conseguiria um contrato com a gravadora Maverick, administrada por Madonna, e também com Guy Oseary, empresário da rainha do pop. E assim, ainda nesse ano, o seu “Jagged Little Pill” seria lançado. Com ele, o diário de Alanis estaria finalmente aberto para o mundo todo.

Ele se tornaria o maior êxito de sua carreira inteira. Seu sucesso começou de forma tímida, com a execução de suas faixas em alguns clubes de Los Angeles. Foi questão de tempo para que o primeiro single, “You Ougtha Know” estourasse nas rádios e nos canais de música. A agressividade expressa na letra, onde Alanis bota no devido lugar um ex-namorado que havia trocado-a por outra era uma bela amostra do trabalho confessional oferecido pela cantora ao longo das treze faixas do seu novo disco. O álbum traria ainda outros hits mundiais como “Ironic”, “You Learn”, “Head Over Feet” e “Hand in My Pocket”. Seu trabalho foi comparado ao de grandes cantoras que já eram famosas, como Joni Mitchell, Patti Smith e Carole King. Todas elas, famosas por oferecem canções consistentes e de conteúdo.

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1. Alanis, em ensaio de divulgação de JLP. 2. Foto tirada em um dos shows de sua turnê "The Club Tour" e 3. Capa do JLP Acoustic

“JLP” vendeu 30 milhões de cópias mundialmente e tornou-se o CD mais vendido por uma artista estreante em todos os tempos, e o segundo mais vendido por uma cantora, atrás apenas de Shania Twain. Ela seria indicada à diversos Juno Awards, Grammy Awards e prêmios variados. Público e mídia estavam finalmente rendidos ao talento de Morissette.

Alanis, naquela década, foi uma das maiores representantes de um nicho de cantoras que se destacavam por não serem apenas um rostinho bonito e que gostariam de compartilhar, sem rodeios, seus pontos de vista quanto às relações humanas, o cotidiano atual e diversos temas polêmicos. Sua exposição na mídia impulsionou diversas outras cantoras que possuíam uma vertente semelhante a dela e que também chamariam a atenção – talvez não tanto quanto a própria Alanis, porém.

“Jagged Little Pill” é o retrato de uma jovem passando para a vida adulta. Suas canções são maduras e sagazes. Ouvi-lo é como entrar num turbilhão de emoções que se estende por pouco mais de 57 minutos. É raivoso, bem humorado e melancólico, incisivo e muito real. É o primeiro passo de Alanis para “exorcizar” seus demônios, citados no começo do texto – tarefa  que prossegue até os dias de hoje, a cada novo álbum. Em “JLP”, Alanis chama todos os seus fãs e ouvintes para conhecer as diversas caras que eles possuem, mas também para compartilhar o fascínio que tem pela sua própria posição.

A turnê do disco foi documentada no DVD “Jagged Little Pill Live”, que ganhou o Grammy de “Melhor Vídeo Musical – Longa Metragem” em 1997. Depois de terminada a turnê, Alanis entraria numa fase em que se encontraria enjoada da fama e da gigantesca exposição. Ela procuraria então, se “exilar” na Índia, onde entraria no processo de produção de seu quarto disco, “Supposed Former Infatuation Junkie”, que também seria um sucesso, mas menor do que o álbum anterior.

 “Jagged Little Pill” é ainda hoje cultuado e foi até mesmo relançado pela própria Alanis em versão acústica em 2005, dez anos depois. As novas roupagens, apesar de ótimas, não possuem o encanto e a essência daquelas gravadas há mais de uma década e que ainda hoje, encantam diversas pessoas que as conhecem pela primeira vez ou que sentem prazer em revisitá-las. Sem dúvida, essenciais.

Corinne Bailey Rae lançará novo CD, “The Sea”, em Fevereiro!

Corinne Bailey Rae

Você provavelmente se lembra de Corinne Bailey Rae. A cantora inglesa estourou no mundo todo em 2006, com seus singles “Like a Star” e “Put Your Records On”, que por aqui foram até trilha sonora de novelas globais. O álbum homônimo, primeiro lançado pela cantora, vendeu quase quatro milhões de cópias e gerou outros dois singles. Quando sua turnê terminou, em meados de 2007, Corinne lançou-se no processo de produção do próximo álbum, compondo e criando canções que estariam no seu segundo disco.

Em Setembro de 2008, porém, o marido da cantora, Jason Rae, saxofonista que já havia tocado com Amy Winehouse, Mark Ronson e inclusive na banda que a acompanha em shows, faleceu devido à uma overdose acidental. Corinne disse recentemente, numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, que “viu a vida passar sem fazer nada por quase um ano” após a sua morte. Ela, sempre recatada, desapareceu da mídia e poucas novidades eram ouvidas a seu respeito.

Em Agosto de 2009, meses depois do ocorrido, Corinne, já mais estabelecida psicologicamente, retornou definitivamente ao processo de produção do álbum – e o seu título foi divulgado essa semana. “The Sea” (“O Mar”, em português) possuirá onze faixas nascidas antes e depois desse recesso, quando a artista sentia-se muito diferente de como estava antes.

Originalmente, esse seria apenas o título de uma das canções que, segundo Corinne, homenageava uma história de sua própria família, sobre seu avô que morreu num acidente de barco. Posteriormente, tornou-se o título do disco. Entre as outras canções, estarão “Are You Here?”, composta em homenagem a Jason, “I Would Like To Call It Beauty”, que fala sobre encontrar, de certa forma, beleza nas dificuldades e o primeiro single, “I’d Do It All Again” – música escrita depois de uma discussão que Corinne teve com o marido certa vez. Faixa que, depois de tanto tempo, torna-se ainda mais forte devido as circunstâncias.

Corinne apresentou-a recentemente em um programa de TV britânica. Confira a performance:

Imagem de Amostra do You Tube

O álbum será lançado no dia 01/02/2010 e já está em pré-venda na Amazon UK. Podemos esperar um disco com a mesma doçura de Corinne Bailey Rae, só que mais maduro e sombrio. Na entrevista, ela disse ainda: “O disco inteiro é sobre mágoa e perdas, mas também sobre esperança; sobre seguir adiante e encontrar essa beleza”. “The Sea” é o retorno merecido e esperado da artista.

 

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