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Music Monday: Big Deal

O nome do grupo que estrela nosso Music Monday de hoje talvez pareça arrogante para alguns, mas a verdade é que Big Deal é uma piada. Uma piada cheia de desilusão e cinismo.

Demorei um bocado para perceber que diferenciava o Big Deal de outras bandas. Numa primeira audição a música de Alice Costelloe e Kacey Underwood me pareceu simpática, mas um tantinho genérica. O som se aproximava de Best Coast, de Jenny and Johnny, de Cults e talvez de algum disco dos Smashing Pumpkins. Mas aí ouvi com mais atenção e percebi que havia uma coisa bastante singular no Big Deal. Havia uma coisa só deles. Aliás, não, não havia. Faltava.

Contando apenas com violões e guitarras difusas e marcantes, Alice e Kacey constroem melodias que parecem flutuar, preenchendo todo o espaço. Espaciais e absurdamente leves, as músicas se beneficiam com a ausência de bateria, característica marcante em quase todas as bandas de rock, e soam difusas e embaraçadas, como se os temas entoados fosse como a poeira que se desprende do chão.

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Top 5: Músicas inspiradas em livros

Davidbowietop

A idéia de que uma obra de arte fechada não se mostre tão fechada assim quando desdobrada nas mãos de outro artista é, no mínimo, instigante.

Ao longo dos anos, vários músicos fizeram isso ao trazerem elementos da TV, do cinema, das artes plásticas e da literatura para suas composições. Seja discutindo temas e ideias, falando sobre personagens e passagens, e, às vezes, até imaginando continuações para histórias que não eram originalmente suas, eles criaram músicas interessantes e atemporais. E é isso que a gente vê em nosso Top 5: Músicas inspiradas em livros.

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Top 5: Clipes inspirados em filmes

Desde que Michael Jackson reinventou a estética do videoclipe com o histórico Thriller, uma homenagem aos filmes de terror, os vínculos da linguagem para com o cinema ficaram mais estreitos.

Os filmetes musicais de poucos minutos que tinham como maior objetivo divulgar os singles dos artistas, atingiram seu ápice nos anos 80 e nas décadas seguintes influenciaram e foram influenciados pelo cinema. E é desse mix de referências que a gente fala agora em nosso Top 5: Clipes inspirados em filmes.

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Music Monday: Carina Round

Há alguns anos, para ser mais exato em 2006, me atrevi a escrever algumas linhas sobre Slow Motion Addict, o último disco de inéditas de Carina Round. Comecei o texto dizendo algo mais ou menos assim:

“Antes de mais nada, quem mané é Carina Round?”

Hoje, cinco anos depois, percebo que eu poderia começar esse texto da mesma maneira.

Embora Miss Round já tenha colaborado com gente grande (ela fez os vocais de Come Pick Me Up, do Ryan Adams, e abriu alguns shows da última turnê dos Smashing Pumpkins), ela nunca chegou a ser muito conhecida. E isso me causa um espanto – e até uma certa revolta -, pois Carina é tão boa que não consigo entender como ela não conseguiu fazer sucesso ainda.

Se você, meu amigo, ainda não a conhece, provavelmente vai achar que estou exagerando. Mas eu tenho certeza que quando você a ouvir cantar vai partilhar, nem que seja um pouquinho, desse sentimento.

Comparada frequentemente a PJ Harvey, o estilo visceral e confessional da moça soa tão sincero que comove, impressiona e diverte. As apresentações ao vivo nunca deixam a desejar. Intensa como poucas, a britânica domina cada centímetro do palco – e ela consegue isso até sussurrando.

O primeiro disco da cantora, First Blood Mystery, foi lançado há cerca de 10 anos. Maduro e um pouco sisudo, ele contava com faixas tão boas que parecia difícil ser superado. Mas ele foi. The Disconnection – a obra-prima de Carina – era um trabalho mais acessível, intenso e seguro. Redondinho, o cd expurgou de uma vez por todas qualquer desconfiança não deixando espaço para a tão falada “síndrome do segundo disco”. Into My Blood, Lacuna e Paris, só para ficar em alguns exemplos, eram tão tão tão incríveis que fariam qualquer crítico cair de joelhos – e qualquer fã de boa música ficar boquiaberto.

Stolen Car, a primeira faixa de Slow Motion Addict, seu terceiro álbum, carrega em sua essência uma aura de “rendição”. É como se Carina desistisse de lutar contra suas vontades e se entregasse. Mais do que isso. Ela entrega logo no primeiro verso (treating my body like a stolen car) o que deseja. Metáfora sólida para vontades comuns.

Conseguindo equilibrar sutileza e agressividade em suas linhas de guitarra, Carina consegue criar melodias memoráveis que casam perfeitamente com suas letras coloridas com sarcasmo, sinceridade, entrega e beleza. O som, que em determinados momentos flerta com o trip-hop (como na belíssima The City e January Hearts), assume nuances complexas e crescentes sem perder a sensibilidade pop. Livre, leve e solta, o repertório da cantora transita entre o folk, o rock e o punk sem nunca parecer refém de um único estilo.

Carina é dona de sua música. Carina é dona de si.

Agora me fala, com sinceridade, é ou não é revoltante ver gente como Carina não ter o reconhecimento merecido?

Cover: Lasso, Coeur de Pirate

Tem gente por aí contando os dias para o ano acabar. E tem gente contando os dias para o Planeta Terra Festival, que vai rolar no próximo dia 19 em São Paulo. Tendo um line-up de responsa com gente do calibre de Smashing Pumpkins, Hot Chip, Relespública e Mika, o evento promete ser o melhor do ano. E no que depender da vontade dos franceses do Phoenix o concerto vai ser mesmo inesquecível. O show dos caras, que será o último da bem sucedida turnê, promete ser um dos pontos altos da noite.

Pra gente entrar no clima, o cover de hoje é de Lasso, último single lançado para divulgar a delicinha Wolfgang Amadeus Phoenix, de 2009. Nos vocais, temos a canadense – e super fofa – Béatrice Martin a.k.a. Coeur de Pirate.

A tatuada mocinha, que tem traços infantis e uma voz pra lá de doce, canta com o mesmo encanto do Phoenix, conseguindo a façanha de manter a aura genuína da canção mesmo com sua interpretação mais… humm… delicada.

Fala sério, não dá vontade de ouvir over and over and over again?

Melhor que isso só a original… Falando nisso, quem quiser ouvir Lasso e outras do Phoenix ao vivo e não puder ir ao show do Phoenix, vale dizer que o Terra vai transmitir o show ao vivo (assim como todos os outros do Festival) em HD pela internet… Só não vê quem não quiser. ;]

A Volta do Hole

Parece que os anos 90 voltaram de vez! Depois de Alicia Silverstone, Smashing Pumpkins e Slash anunciarem novos trabalhos -?- chegou a vez de Courtney Love apresentar a nova formação do Hole.

Quando a cantora falou sobre voltar a tocar na banda que a lançou ao estrelato em julho do ano passado ninguém botou muita fé, mas para surpresa de todos os planos finalmente saíram do papel.

Na última sexta-feira Courtney se apresentou com a nova formação da banda – que possui quase todos os integrantes originais, excetuando Eric Erlandson, co- fundador da banda e Melissa Auf de Maur, ex-baixista, que agora alça vôos solos – no programa de Jonathan Ross, na BBC. O curioso é que além de apresentar a “nova” banda, Courtney fez questão de tocar Samantha, uma canção inédita. Assista a baixo:

Só eu que não sabia que Courtney era brasileira? Porque assim, ela não desiste MESMO, né?

Ainda bem! Porque a música, mesmo sendo farofa, é ótima!

UPDATE: Leitores, fui informado por Lipe nos comentários que o Hole voltou, mas Courtney é a única integrante da banda original. Confundi total as bolas e peço desculpas por isso! Na verdade, os planos da banda retornar com os membros originais foi feito ano passado, mas algo aconteceu no meio tempo… O que é uma pena!

Outro ponto que Lipe apontou é que na foto não é a Courtney. Mas essa parte eu já sabia, hahaha!

Era uma vez o bonde… o Bonde do Rolê!

No longínquo ano de 2005 o Brasil descobria a funkeira Tati Quebra Barraco. Depois de ter Boladona incluída na trilha da novela América, Tati conseguiu o feito de sair do nicho baile-funk-nas-favelas-do-Rio e “conquistou o Brasil” com suas letras diretas e extremamente sexuais.

Conquistou o Brasil entre aspas. À medida que sua música foi sendo descoberta as críticas cresceram ao redor de seu nome. Ao mesmo tempo em que Tati proclamava que a mulher também poderia sentir tesão e prazer, a sociedade via em seu discurso palavras que destruíam anos da luta feminista. Nesse clima de desaprovação e marginalização do funk, surgiu em Curitiba o Bonde do Rolê, um dos trios mais divertidos e irreverentes da última década. Com o aval do jornalista Lúcio Ribeiro, espécie de “bússola” dos moderninhos e cults da época, o Bonde ganhou rapidamente notoriedade e fãs ao redor do Brasil e do mundo, chamando atenção até de Diplo, o produtor e então namorado de M.I.A., que bombava na época com Bucky Gone Gun, música feita sob o Funk da Injeção de Deize Tigrona.

As letras extremamente sujas e bem humoradas encontravam na batida do funk carioca a combinação perfeita: a música do Bonde soava explosiva, bagunçada e ultra-divertida.  O sucesso parecia mesmo inevitável. Também pudera, o cenário controverso do país na época, versos no estilo de “minha florzinha você fuma/meu tabaco você rega/o que nunca vai fazer é tocar em minhas prega” (Melô do Tabaco) e mash-ups competentes do DJ Rodrigo Gorky era quase impossível passar despercebido.

Curiosamente as mesmas pessoas que abominavam o funk se renderam ao charme pornográfico e sem vergonha do Bonde, lotando suas apresentações. Pareceu mesmo que o problema com o funk não eram as letras e sim seus expoentes pobres. As performances ao vivo eram um show a parte: Pedro D’Eyrot, Rodrigo Gorky e Marina eram tão debochados e extremistas que tudo mais parecia um show de hard-core do que um baile funk.

Quase 2 anos depois de sua aparição, o Bonde do Rolê gravou seu primeiro disco, intitulado With Lasers. Com a produção assinada por Diplo e pelos supercools Radioclit, o disco fez tanto barulho que rendeu ao Bonde menção nas principais publicações internacionais e até um convite para tocar no famoso Coachella Music Festival.

No mesmo ano do lançamento do disco a banda anunciou que a vocalista Marina deixaria o projeto. Sem nenhuma justificativa oficial, o motivo da saída, de acordo com o que diziam na época, foi uma treta com os outros 2 membros. A saída de Marina pareceu não abalar o duo, que seguiu firme e forte se apresentando pelo mundo. Após uma bem sucedida parceria com a MTV Brasil eles elegeram Ana Bernardino e Laura Taylor como novas vocalistas.

O tempo provou que ficar no lugar de Marina era uma tarefa impossível.  Marina Ribatski, ou simplesmente Marina, foi a cara do Bonde do Rolê de 2005 até 2007. A garota, que na época cursava Letras na Universidade Federal do Paraná, teve coragem de gritar versos obscenos e duvidosos enquanto geral repudiava -e curiosamente adoravam M.I.A. e seu maravilhoso debut-. Quando Laura e Ana subiam no palco encaravam o estigma de cantar no lugar de uma das mais carismáticas e explosivas performers da cena underground. As críticas negativas em relação as apresentações permearam o grupo. Com o passar dos tempo o público foi perdendo o interesse e acabou saindo dos holofotes da grande mídia. A banda promete retomar seu lugar ao Sol ainda esse ano, com o lançamento de um novo disco, ainda sem título.  Mesmo sem Marina e com todos os desvios, o nome da banda ainda é forte o suficiente para despertar interesse.

Marina, por outro lado, caiu quase no anonimato. Seu perfil no Orkut, que em outrora já teve quase mil amigos, hoje sequer faz alusão ao Bonde.

Vivendo em Londres com Louis Hautemulle, seu esposo e produtor da Diesel:U:Music, a garota prepara um novo álbum a ser lançado ainda esse ano. Depois de ter contribuído com o Radioclit em uma das faixas de seu último disco, os caras vão “retribuir o favor” e assinar a produção de seu primeiro álbum solo. Marina, que já era parceira deles desde as sessões de gravação do With Lasers, promete um álbum pulsante e voltado ao rock, com influências noventistas como Smashing Pumpkins, Hole, L7, Pixies e Pavement.

Enquanto o disco não sai, vale ver Big Foots, última colaboração de Marina com a banda alemã Acidkids:

É, meus amigos, 2010 promete. Que venha o novo do Bonde e que Marina recupere seu reinado, provando de uma vez por todas que ela era mesmo a alma do grupo.

 

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