MIOLÃO • Tori Amos
 

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Cover: Live To Tell, Tori Amos

Quem acompanha a carreira de Tori Amos sabe que a moça gosta de covers. Tanto que eles se fazem presentes em quase todos os seus shows. Só esse ano, na tour do disco Night Of Hunters já tivemos Tiny Dancer e Daniel, do Elton John; Landslide do Fletwood Mac e o escolhido de hoje, Live To Tell, da Madonna, cantado no dia 29 de outubro, na cidade de Bruxelas.

Essa não foi a primeira incursão de Tori no universo da Rainha do Pop. Os Original Bootlegs, registros da turnê do disco The Beekeeper, contam com uma belíssima versão de Like A Prayer; em outro momento de sua carreira, Amos cantou Like A Virgin e, além disso, cantou a versão madônnica para American Pie, do Don McLean. A própria Live To Tell não foi cantada pela primeira vez em 2011: o flerte de Tori com essa canção remonta de 1996. Porém, escolhemos a versão recente pela atmosfera que permeia a coisa toda.

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Disco Essencial: Joni Mitchell, Blue

Meu primeiro contato com Joni Mitchell foi há muito tempo, pelos idos de 2000, através do filme Da Magia À Sedução. Em uma das cenas do longa, a personagem de Nicole Kidman canta, por cima da gravação original, um pedacinho de A Case Of You. Lembro de ter ficado completamente fascinada com a melodia e a voz de Joni. Acho desnecessário comentar que, na época, ainda não era tão fácil encontrar coisas na internet. Então, fiquei com a música na cabeça durante um tempo e, eventualmente, me esqueci dela.

Anos mais tarde, outro filme me fez reencontrar Joni Mitchell. Both Sides Now é tocada em uma das cenas mais bonitas de Simplesmente Amor e, como se podia esperar, me encantou também. Corri para a loja de CDs mais próxima e comprei a trilha sonora do filme. A poesia e a simplicidade presentes na letra de Both Sides Now, aliadas a sua melodia sombria, nunca perdiam o frescor para mim. Em cada vez que ouvia, parecia descobrir algo novo na música e isso me fazia querer saber mais a respeito da dona daquela voz tão profunda e tão triste. Então, voltei novamente à loja de CDs à procura de algum disco da Joni. Desnecessário dizer que não encontrei, já que pouquíssimos foram lançados no Brasil.

Só algum tempo depois, com o “boom” da Internet, fui conhecer mais da discografia de Mitchell. Descobri o nome de A Case Of You e dos dois discos que continham as faixas que eu já conhecia, que eram Blue e Both Sides Now (na verdade, a gravação original de Both Sides está no disco Clouds, mas a versão tocada em Simplesmente Amor está no supramencionado Both Sides Now).

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Cover: Over The Rainbow, Tori Amos

“Over The Rainbow” é uma canção clássica e atemporal, que ninguém jamais esqueceu. Escrita por E.Y. Harbug e interpretada originalmente por Judy Garland no ótimo filme “O Mágico de Oz”, (adaptação cinematográfica da história criada por L. Frank Baum) possui um otimismo comovente e puro que parece tocar até a mais dura das pessoas. A faixa funciona como a expressão perfeita das ambições de Dorothy, protagonista do longa – uma garotinha texana com sonhos de conhecer mais do que a vida simples que leva e viajar para terras distantes.

Interpretá-la não é pra qualquer um. Versões suas são feitas aos montes, mas poucas marcam de verdade. Tori Amos foi uma daquelas que conseguiram criar um cover de valor da mesma.

A cantora, uma das artistas femininas que marcaram a música confessional da década de 90, tornou-se conhecida por sua forma fresca e sincera de narrar episódios cotidianos, na mesma linha de Alanis Morissette e Fiona Apple. “Over The Rainbow” foi interpretada pela moça mais de uma vez ao vivo, e ela, como vemos no vídeo, parece extremamente familiarizada com a faixa. Para demonstrar sua grandeza, Tori não precisa de mais que sua voz um piano. Nesse clima intimista, ela evoca toda a magia contida na canção imortal. Antes, conta pequenas memórias da convivência com sua mãe, que contribuem ainda mais para o clima emocionante da apresentação. Veja:

Cover: Jóga, PS22

O cover de hoje é cantado não somente por um, mas por uma porção de jovens artistas que tem talento suficiente pra deixar todo mundo de queixo caído: são as crianças que compõem o PS22, um dos projetos mais bacanas que a Internet popularizou nos últimos anos.

Formado numa escola pública de Nova York em 2000, o coral, que entre muitos feitos participou de algumas faixas do disco “Manners”, da banda Passion Pit, já homenageou Beyoncé  e Lady Gaga numa premiação da Billboard e cantou ao lado de Tori Amos, foge do repertório previsível que outros grupos mirins escolhem, e prefere explorar canções de artistas como  Regina Spektor, Coldplay, Marina and the Diamonds, The Cure, Radiohead, entre outros.

Escolhemos então uma das mais belas gravações dos garotos: “Jóga”, a urgente e sensível música de Bjork – que já é tocante originalmente – tornou-se ainda mais emocionante na voz dos garotos. Ainda me deixa arrepiado quando ouço. Uma versão que possui luz própria e que…

Bom, falar mais sobre ela não é preciso. Confira abaixo e veja que dispensa palavras:

#Miolão Especial: Quando elas cantam…

Para o Dia Internacional da Mulher, o Miolão indica algumas canções que se encaixam perfeitamente na temática e valem ser ouvidas pelo conteúdo, pelo talento de suas criadoras – ou intérpretes – e por serem, além de tudo, marcantes. Confira abaixo e diga: qual é sua favorita?

Woman Left Lonely – Janis Joplin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=klhK_4evO5c
A voz de Janis Joplin, que influenciou uma geração, aparece vigorosa como sempre nessa gravação: a trajetória da “mulher solitária” do título ganhou diversas versões, incluindo uma ótima com Cat Power nos vocais, mas o Miolaoteam opta, no caso, pela gravação original. Nada mais justo: Janis é uma das mulheres que mais contribuíram para a história da música e merece um lugar na lista.

Bobagem – Céu

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=zkc_oIwYwas
“Minha beleza não é efêmera como o que eu vejo em bancas por aí”, canta a carioca Céu, num sambinha cru e simpático lançado em seu primeiro CD, homônimo, de 2007. Ela declara em letra própria que sua essência reside mais do que somente na aparência. A música possui menos de três minutos e consegue deixar o seu recado: “ser mulher a vida inteira”, pontua.

Me and a Gun – Tori Amos

 

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=uKzCxi2yf5s
Aterradora. “Me and a Gun” é o relato real de uma tentativa de estupro pela qual Tori passou quando tinha ainda vinte e um anos. A música, que faz parte de “Little Earthquakes”, o disco que fez a cantora tornar-se conhecida mundo afora, é cantada à capela e causa arrepios pela naturalidade com que ela fala sobre o ocorrido, relatando os pensamentos que passaram por sua cabeça enquanto estava encurralada pelo homem em questão. Poética e chocante.

What It Feels Like for a Girl – Madonna

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=qYwgG2oyUbA
Com introdução da francesa Charlotte Gainsbourg, essa canção de Madonna fala sobre opressão e critica o papel submisso ao qual a mulher é submetida em alguns momentos de sua vida. O clipe da mesma, dirigido pelo seu ex-marido Guy Ritchie, foi censurado pela MTV e alguns outros canais de música por mostrar a cantora interpretando uma vítima de agressões físicas, que em um momento de fúria e acompanhada de uma simpática senhorinha começa a brincar de GTA na rua (?), atropelando os homens que encontra pelo caminho.

Travelling Woman – Bat for Lashes

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=a4XXkz4iFUM
Natasha Khan dirige o discurso de sua canção à uma mulher viajante e obstinada, dizendo que ela deve continuar trilhando seu caminho e ignorando as tentações do amor, que podem fazer seus planos irem por água abaixo. “Never fall in love with potential/cause you can’t see with your own eyes”, diz Natasha. O tom resignado e endurecido da canção, aliado aos arranjos precisos e a voz quase onírica de Natasha emociona.

Isobel – Dido

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=lpG4Pci6el8
Existem diversas teorias de fãs sobre o que a situação retratada na enigmática canção da inglesa Dido. Na letra da mesma, que é uma das melhores músicas do seu disco de estréia, “No Angel”, ela parece consolar uma amiga que perdeu seu filho, num aborto que não podemos entender claramente se foi espontâneo ou provocado. Isobel se sente ressentida pelo que aconteceu, enquanto Dido levanta questões sobre como teria sido a criança no futuro, caso tivesse nascido e tenta acalmá-la: “don’t punish yourself, live it well alone”. A cantora estabelece um diálogo marcante com a personagem, numa canção envolvente e misteriosa.

Todas as Mulheres do Mundo – Rita Lee

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=T1_z9ZKneAM
Rita Lee evoca todas as Xuxas, Madonnas, Dianas, Leilas Diniz e Evitas do mundo para mostrar, numa divertida canção de seu repertório, que as mulheres do mundo querem mesmo é poder. Sem duplo sentido, ok?

(You Make Me Feel Like) A Natural Woman – Aretha Franklin

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=-DSYZAiM-20
A canção clássica de Aretha Franklin foi regravada por nomes como Carole King e Celine Dion, que mandaram bem, mas não conseguiram superar a versão original e a emoção evidente da diva da black music, que canta sobre uma mulher que se sente plena devido a um novo amor que tomou conta de sua vida. Daquelas músicas que merecem ser relembradas diversas vezes.

Resposta – Maysa

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=z-AIc7yTJi8
Escrita pela cantora como um revide às criticas feitas em relação a sua vida profissional e particular, essa canção sintetiza toda a angústia e raiva reprimida que Maysa sentia por ter sua vida esmiuçada pelo público/mídia na época. “Se alguém não quiser entender e falar, pois que fale”, desabafa. Maysa teve uma vida breve, mas intensa. Uma canção marcante, que continua atual e pertinente nos dias de hoje, criada por uma das artistas mais expressivas de nossa música.

Girls Just Wanna Have Fun – Cyndi Lauper

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=x0cJnVeiMrw
Porque mesmo depois de quase 30 anos, as garotas ainda querem se divertir.

I’m a Lady – Santigold

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=PpL8odTN2_c
Nessa simpática faixa de seu debut, Santigold (ex-Santogold), conta vantagem por ser uma “dama”: decidida, que quebra corações e que provavelmente será  martirizada um dia por essa postura. A música é levemente sarcástica e cativa - talvez não no início, mas certamente depois de algumas audições. Vale ouvir.

Mary Jane – Alanis Morissette

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=IxBAuIuFGCk
Misto de homenagem a uma amiga e canção autobiográfica, a saga de Mary Jane, “a última grande inocente”, segundo as palavras de Alanis, é narrada de forma dramática e lindíssima. Impossível não se arrepiar com a letra fantástica e os diversos tons da cantora. Mary é, no fim das contas, igual a muitas mulheres, homens e muitos de nosso cotidiano.

Zé – Vanessa da Mata

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=JD1jX-qidBQ
Um relato delicado sobre um romance cheio de elementos antigos: tudo é descrito com tantos detalhes que quase dá pra sentir os tais cheiros de “hortelã, alecrim e jasmim”. Vanessa da Mata captou a ternura do ponto de vista feminino com maestria.

Ramblin’ (Wo)Man – Cat Power

Ouça: http://www.youtube.com/watch?v=jD6HceVd5Y8
Nessa versão do blues das antigas de Hank Williams, Cat Power declara o amor que sente por um homem, mas também que sua paixão pela liberdade da vida é ainda maior: ela sabe que poderá machucá-lo por isso, mas é simplesmente o seu jeito e não pode evitar.

E você? Que outra canção colocaria na lista?

 

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