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Cover: Little Girl Blue, Janis Joplin

Caso Janis Joplin estivesse viva, completaria hoje 69 anos.

Se ela seria considerada a lenda que é hoje ou mesmo se ainda teria a mesma voz, são questões que não me preocupo em discutir ou mesmo em pensar. O que me interessa em Janis é o talento. A capacidade de transformar suas canções em algo inimitável. A voz áspera, densa, cheia de variações – que vai da mais absoluta tristeza a agressividade de um Jim Morrison em questão de segundos – e com uma facilidade que só confirma que, para ela, cantar era tão natural quanto o ato de respirar é para todos os seres humanos.

É isso o que eu gostaria de mostrar com o cover de hoje. Poderia ter escolhido Summertime, um clássico regravado milhões de vezes, mas optei por Little Girl Blue porque essa música é, até em seus menores detalhes, Janis Joplin.

Apesar de ter se popularizado na maravilhosa versão de Nina Simone, Little Girl Blue foi originalmente gravada por Gloria Grafton (infelizmente não encontrei nenhum vídeo no Youtube). Composta em 1935, por Richard Rodgers e Lorenz Hart, a faixa fala sobre infelicidade, tédio e desesperança. Sobre chegar a aquele ponto em que tudo o que se pode fazer é sentar e contar os pingos de chuva. E isso acontece de um modo tão simples e tão honesto que fez com que ela acabasse caindo no gosto de diversos cantores cujo estilo apontava, ainda que apenas em alguns momentos, para o confessional.

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R.I.P. Amy Winehouse

Não é raro que nós do Miolão prestemos tributos a artistas que já se foram e cujo trabalho adorávamos, mas falar de Amy Winehouse – cuja notícia da morte foi uma surpresa imensamente ruim – é ainda mais doído do que outros que se foram quando ainda éramos muito jovens, ou antes de termos nascido.

Amy foi (e é amargo escrever essa frase no passado) uma das artistas mais emblemáticas de nossa geração, e, sem dúvidas, uma das mais geniais também. Nós, seus fãs, acompanhamos a ascensão e declínio dessa intérprete fantástica, compositora audaciosa, pessoa de raro carisma e que provou os dois lados da fama, com suas delícias e dissabores.

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#Top 5: Filmes com Jornalistas

Em comemoração ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que desde 1993 comemora-se em 03/05, o MIOLÃO elege alguns jornalistas da ficção que mostraram caracteristicas interessantes e colocaram, de alguma maneira, a questão ética em pauta.

5º William Miller (Patrick Fugit) em Quase Famosos


Em plenos anos 70, William Miller (Patrick Fugit de Galera do Mal) ainda está no colégio quando tem a chance de acompanhar sua banda preferida em uma turnê nos Estados Unidos enquanto escreve para a então super conceituada revista Rolling Stone. O emprego dos sonhos quase vira pesadelo quando William se envolve mais do que deveria com a banda e com o universo que a cerca…

Essa pequena pérola dos anos 2000, que em termos é tida como uma autobiografia de Cameron Crowe (Vanilla Sky), fala sobre crescer e mostra que jornalistas são, acima de tudo, humanos.

Feel good movie dos bons!

4º Robert Graysmith (Jake Gyllenhaal) em Zodíaco


Baseado numa história real, o excelente filme de David Fincher (O Curioso Caso de Benjamin Bunton) é um exercício de cinema. Retratando a curiosa história de Robert Graysmith, um jornalista que de repente se vê obcecado pela investigação de alguns assassinados, o filme fala basicamente sobre a obstinação de um homem em encontrar uma resposta para crimes que até hoje não foram solucionados. A co-relação entre o jornalista, que não é levado a sério por sua atuação – ele trabalha como cartunista -, com os policiais (Robert Downey Jr. e Mark Ruffalo) é um dos trunfos do filme. E o final… simplesmente surpreendente.

3º Bitsy Bloom (Kate Winslet) em A Vida de David Gale


A história é a seguinte: um homem (Kevin Spacey) está no corredor da morte. Este homem já foi acusado de estupro e agora espera sua execução depois de ser acusado de matar sua melhor amiga (Laura Linney). Antes de morrer ele concederá uma entrevista para Elizabeth Bloom (Kate Winslet). Tomada por repulsa e por, de alguma forma, um senso de justiça quase cego, ela aceita o desafio de falar com o homem certa que encontrará nele a personificação da maldade humana. Mas a medida que o homem que dá título ao filme conta os fatos, ela percebe que as coisas não são bem assim…

A Vida de David Gale discute temas sociais super atuais e conta com interpretações magníficas. Destaque especial para Kate Winslet, que entrega um desempenho impecável cheia de nuances e subtextos assombrosos. Sua Bitsy entende que seu papel como jornalista é lutar por uma sociedade mais justa, sendo sempre forte, ética, humana e idealista… como todo jornalista deveria ser.

2º Suzanne Stone (Nicole Kidman) em Um Sonho Sem Limite


Se em A Vida de David Gale a jornalista de Kate Winslet é uma jornalista consciente e atuante, em Um Sonho Possível Suzanne Stone (interpretada por Nicole Kidman, que, inclusive, foi indicada ao Globo de Ouro pelo papel) é exatamente o oposto do que todo jornalista deveria ser. Ambiciosa, maliciosa e deliciosamente malvada ela não mede escrúpulos para chegar onde deseja.
Essa fábula do diretor Gus Van Sant é um clássico irretocável e mostra um lado pouco atrativo da profissão. A história, que é contada sobre a ótica da própria Suzanne, diverte e assusta ao mesmo tempo e serve como exemplo perfeito de como NÃO ser. Falta caráter, falta ética, falta respeito e sobra ambição. Cinismo na medida, uma pérola que merece ser vista (ou, se você já viu, revista)!

1º Jedediah Leland (Joseph Cotten) em Cidadão Kane

Tido pela crítica especializada como o melhor filme já feito até hoje, Cidadão Kane tem sua premissa baseada na vida do milionário William Randolph Hearst, que foi um dos precursores da imprensa marrom (aquele tipo de imprensa sensacionalista que não mede esforços para causar). Ou não. No filme, um jovem jornalista investiga o que poderia significar a palavra “rosebud“, escrita por Charles Foster Kane (interpretado pelo diretor do filme Orson Welles) em seu leito de morte. Teoria da conspiração, inovação no jeito de filmar e  10 indicações ao Oscar faz com que esse filme seja de consumo obrigatório. Aliás, é bem interessante dizer que ele foi, inclusive, banido do Brasil… mas isso já é outra história.

Na verdade, não é outra história. É pela liberdade de informação, liberdade de imprensa e liberdade de expressão que o dia de hoje é comemorado.

Por mais retrógrado que pareça, ainda hoje jornalistas sofrem ameaças e alguns até são mortos por conta de seu trabalho. Segundo o radialista Jonathan Irlan Tavares Torres o número de profissionais perseguidos e executados em 2009 foi de 122. Em homenagem a estes profissionais que fazem um trabalho pertinente e por vezes tem suas vidas sacrificadas pela transparência e o desejo de transmitir informações pertinentes, o MIOLÃO deixa aqui este singelo post.

 

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