“Não sou do tipo fanático – por cantores, bandas, atores, diretores, autores etc. Nunca entendi fãs chorando nas filas e nos shows, que se propõem a acampar por dias em frente às bilheterias; gente que faz de tudo pra estar perto de seus ídolos. Ok, tenho minhas preferências, meus gostos. Muito questionáveis, até, diga-se de passagem – tirando a Corinne, claro! Mas dou o braço a torcer depois do show do dia 4/11, porque não esperava sentir essa emoção que se vê. Nem em mim, nem nos outros.
Via Funchal, mesas coladas umas nas outras. Mesa para seis, a minha; apenas um casal sentado à ponta. Boa-noite, todo mundo. Garçom, cadê você? Vem logo antes que o show comece, que o show termine, que eu me acabe aqui nessa cadeira? 21h15; o show deve começar às 21h30. Debate à mesa sobre atrasos – aceitáveis ou não? Chega mais uma. E outra. Rápida apresentação. Olhamos ao redor: gente de tudo quanto é tipo – o que logo virou assunto, inclusive. Os fãs da Corinne não tem uma cara definida. A minha mesa era uma espécie de retrato disso: o casal, ambos com seus cinquenta anos, de São Paulo mesmo, finos e de bem com a vida, obrigado; uma garota de Goiânia, mas que já mora em Sampa há algum tempo – fã tímida a princípio, mas que cantou do começo ao fim; eu e minha mãe, cada um de uma cidade do estado, um mais feliz que o outro por estar ali; e Fernanda, uma economista de 26 anos, de Florianópolis, que pegou um voo na própria quinta-feira, sozinha, pra assistir ao show e voltar pra sua cidade na manhã do dia seguinte. Fãs. Cada qual à sua maneira, mas todos com o mesmo prazer em estar ali. Estava no olho de todo mundo, estampado, “tudo o que eu queria hoje era estar aqui, nesse show”.
Em torno das 22h – and she comes to lay us down in a garden of tuberoses. Linda, simpática, um carisma que poderia se sentir de longe. Um sorriso-espelho aberto, refletindo a nossa satisfação de estar ali. Era como se então a satisfação nos envolvesse, a todos. Agradece, dá boa-noite; diz que é sua primeira vez no Brasil. Explica que o show vai ser um apanhado dos seus dois álbuns, com as músicas de maior gosto do público. Poderia cantar todas, então?
Não sou especialista em música, não manjo nada da parte técnica. Mas, para um leigo e fã, estava tudo consonante. Enfeitando o palco, além da própria Corinninha – quanta intimidade! -, a banda, seu logo estendido ao fundo e a iluminação, de presença marcante – as luzes eram uma melodia à parte, acompanhando o tom de cada canção; a banda, impecável – com destaque ao baterista e o guitarrista, na minha opinião. Corinne cantou todas as músicas do seu mais recente álbum The Sea; ainda Till it happens to you, Breathless, Like a star e Put your records on (essas duas, as mais aplaudidas) do álbum anterior e duas versões fora do repertório, Is this love e Que será, será (versão blues espetacular!) com performances cheias de nuances, de inovações fantásticas – de alma.
Cada música me deixava num êxtase tão grande que eu já quase não sabia dizer qual tinha sido a última. Todos na mesa estavam assim. E todos, nas outras mesas, estavam assim. O centro do mundo era ela, como se fora do Funchal não houvesse mais nada. O show nos sugou como ressaca do mar, numa força que explica a própria letra de The Sea: the sea,/ the majestic sea,/ breaks everything,/ crushes everything,/ cleans everything,/ takes everything from me. Música, aliás, que encerraria a noite, não fosse o apelo do público ao fim pedindo mais e atendido tão gentilmente por uma Corinne e sua banda, tão solícitos, que agradeceram por permanecermos ainda um pouco mais.
Impossível sair dali sendo o mesmo; pelo menos, o mesmo que entrara. A vontade ao fim era de embarcar no clima do clipe de Paris Nights and New York Mornings e sair pela cidade cantando até o amanhecer, atrás de one more coffee and one last cigarette. E eu nem fumo.
Corinne abraçou simbolicamente o Brasil (deram a ela uma bandeira, com a qual saiu abraçada do palco) e deu um sorriso final que garante sua promessa de voltar. Todos nós, que ali estivemos, e tantos outros fãs que não puderam ir aos shows – esperamos que sim. Muitas vezes, muito em breve, com novas canções e com um novo banho de alma. Pois a sensação que ficou é essa. Não levei câmera, não registrei um momento sequer do show. Pra ser sincero, depois de ter estado ali, ao vivo, perde a graça ver uma foto, um vídeo. Mas cada música agora, quando ouço, está encharcada da mesma emoção do show, da lembrança do carinho com que Corinne nos cantou e com o qual foi recebida.
Fanático? – não sei, ainda penso que não sou. Mas, numa próxima, eu com certeza montaria uma barraquinha em frente à bilheteria se fosse preciso!”
Por Gabriel Padovani.
O texto acima foi escrito pelo nosso leitor Gabriel Padovani, que é um dos “Corinnemaníacos” que tiveram orgasmos múltiplos deliraram ao ouvi-la cantar suas doces composições na capital paulista, em 4/11, numa das duas apresentações que a moça fez em solo brasileiro. Seu relato, cheio de uma admiração gostosa de fã, conseguiu transmitir a atmosfera perfeita dos lives da moça: elegantes, intimistas e super convidativos. O Miolaoteam agradece muito, Gabriel!
E não podemos deixar de agradecer também ao Cristiano Lourenço, outro fã da cantora que gentilmente permitiu a publicação de seu registro em vídeo da apresentação – diga-se de passagem, muito bem filmado e editado. Muito obrigado!
Droga. Não fui no show e agora, só de ver essas coisas me dá uma pena… haha. :]


















