É interessante ver como Amy Winehouse, em tão pouco tempo, se tornou inegavelmente – e merecidamente – um ícone da música contemporânea . Há alguns anos, Amy era somente mais uma cantora “promessa” que despontava na cena britânica, mas um título desses seria pouco para descrever essa personalidade, que deixou sua marca não apenas pelo reconhecido talento, mas pela sentimento que transmite em seus trabalho e por uma grande transparência. O Disco Essencial da vez no Miolão é “Back to Black”, o segundo álbum da carreira ainda curta, mas intensa, da moça que trouxe o bom gosto e a consistência da sonoridade de outrora para os holofotes outra vez.
É impossível analisar o trabalho de Amy sem deparar-se com aspectos de sua agitada vida pessoal. Tudo o que a cantora produz é intrínseco ao que vive e sente, e esse é um dos aspectos que tornam seus trabalhos tão admiráveis: seus pensamentos e reflexões são esmiuçados em desabafos honestíssimos, sem firulas, meias palavras ou auto-piedade. Artistas que trazem esse desprendimento ao retratarem suas experiências são cada vez menos frequentes no mainstream e Amy provou que é possível injentar uma grande carga de realidade – e estilo próprio – às paradas de sucesso.
E também aos tablóides, claro. É um preço que se paga por ser um livro aberto: milimetricamente examinada pela mídia, nossa “heroína” aparece constantemente envolvida em embates públicos, situações fora do comum e escândalos relacionados a drogas e bebidas. A questão é que com Amy Winehouse, nada disso parece um simples artifício para permanecer sob o olhar do público e dos jornalistas – ela pouco está interessada nisso. A inglesa é verdadeiramente rock’n roll, fazendo tudo o que dá vontade e vivendo desesperadamente, como se fosse a última “selvagem” do showbuziness.
Sob o olhar da maioria, tornou-se motivo de riso acima de qualquer outra coisa, injustamente. Esquecem que por trás de tantas excentricidades (nada forçadas) existe uma artista ávida por encontrar um escape e que somente opta pelas saídas mais prejudiciais a ela própria – mas que quando foca na sua própria arte, mostra que não tem pra ninguém.
















