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3 Momentos: Charlotte Gainsbourg

As vezes, parece que Charlotte Gainsbourg está envolvida com tantos trabalhos interessantes que parece estar em toda parte: a atriz/cantora/modelo, filha de um dos casais de artistas mais influentes da cultura francesa – Serge Gainsbourg e Jane Birkin – é competente em tudo o que faz. Como se sozinha já não fosse suficientemente original, Charlotte já trabalhou com nomes como Beck, Michel Gondry, Lars Von Trier, Air, Jarvis Cocker e Alejandro Iñarritu. Sua carreira é cheia de momentos instigantes, trabalhos provocadores e cheios de originalidade. Abaixo, o MIOLÃOTEAM seleciona alguns deles, para que você conheça mais sobre o universo da francesa.

Charlotte & Serge Gainsbourg – Lemon Incest

Essa é a faixa título do álbum “Lemon Incest”, o primeiro disco lançado por Charlotte, ainda na pré-adolescência. Escrita por seu pai, Serge Gainsbourg – e com a participação dos mesmos nos vocais – a canção gerou polêmica na época de seu lançamento: a letra fala de um amor desmedido entre pai e filha, com a então jovem Charlotte sussurando em francês que ama seu pai mais que tudo e que esse sentimento é o mais violento que podia sentir. Serge responde, dizendo que ela é sua carne e seu sangue e exaltando seus doces beijos. O tom lento e sensual da voz do cantor impõe uma sensualidade perturbadora à música.

O maior “baque” viria com o videoclipe, que traz ambos sob uma cama, num local inóspito: Charlotte somente de calcinha e Serge com o peito nu, ambos enroscando-se de forma provocante e incômoda. Nada muito, er… familiar, não é? Depois de crescida, Charlotte se justificou dizendo que na época não era mais inocente, sabia muito bem o que aquilo significava e que havia se divertido participando das gravações.

Se na vida real a relação dos dois também passava do habitual, nunca saberemos. O fato é que “Lemon Incest” foi o primeiro tabu na carreira de Charlotte, e um a mais no currículo de seu pai, um dos mais provocativos artistas da canção francesa até hoje. Veja.

Anticristo – Prólogo

Caso nunca tenha assistido “Anticristo”, o polêmico filme de Lars Von Trier com Willem Dafoe e a própria Charlotte nos papéis principais, veja agora sua sequência de abertura: a produção, que conta a história de um casal procurando superar o luto causado pela perda de um filho, é fruto de uma depressão de dois anos do diretor dinamarquês, que segundo ele próprio, conseguiu realizar seu filme mais íntimo.

É também daquele tipo de obra que ninguém que tem contato permanece alheio: vaiado no festival de Cannes, o filme chocou por suas cenas violentas ou de sexo explícito e pelo clima constante de insanidade. O duelo entre o casal principal nos leva ao limite: Dafoe está excelente, bem como Charlotte, que em entrevistas, declarou como a experiência foi espantosa e decisiva em sua carreira.

Aparentemente, esses temores levantados pela sua participação no filme resultaram em coisas boas: ela foi vencedora da Palma de Ouro de Melhor Atriz também no Festival de Cannes. Por sinal, merecidamente: a artista alterna entre as diversas emoções de sua personagem de forma assombrosa – não há forma melhor de definir. O próprio filme consegue ser detestável e fascinante na mesma medida. Independente de gostar ou não, “Anticristo” vale como uma experiência cinematográfica quase surreal e para ver, boquiaberto, Gainsbourg em um de seus melhores momentos. (ps. O vídeo possui cenas explícitas. Cuidado onde você assiste, ok?) Veja.

Charlotte Gainsbourg – Time of The Assassins

Os trabalhos musicais recentes de Charlotte Gainsbourg são elegantes e totalmente envolventes. A moça cresceu e conseguiu trazer o melhor das influências que absorveu durante sua vida – grande parte no seu “berço” – para aquilo que produz hoje. Alternando entre o francês e o inglês, a moça escolhe os melhores parceiros possíveis para acompanhá-la em suas empreitadas: seu segundo CD, “5:55” (2006), foi produzido pela dupla Air e traz uma atmosfera sensual e onírica. As ótimas “The Operation” e “The Songs That We Sing” são dois exemplos das pérolas que podemos encontrar em seu disco.

Ano passado, Charlotte lançou “IRM”, inteiramente produzido pelo cantor Beck (foto). O disco, delicado como o primeiro, mas um pouco mais barulhento e experimental, foi concebido depois de uma fase “reclusa” da cantora, que sofreu um acidente grave em 2007 e passou pelo desgastante tratamento de uma hemorragia cerebral. Com ele, amplia seu repertório com outras ótimas gravações, como a homônima “IRM” – que traz arrepiantes sons de máquinas de ressonância magnética – “Voyage”, “Trick Pony” e “Heaven Can Wait” , que ganhou um clipe nonsense e bom como a faixa. O “terceiro momento” de Charlotte é o video de “Time of The Assassins”, novo single do álbum. Veja.

…e uma curiosidade.

Essa, os fãs de Madonna vão conhecer: sabe a introdução da música “What It Feels Like for a Girl” , que traz uma voz vacilante e frágil falando sobre repressão feminina? Trata-se de um dos diálogos do filme “The Cement Garden” (1993)de Andrew Birkin – tio de Charlotte na vida real. Ela, que fazia parte do elenco, recita o pequeno trecho que tornou-se célebre com a canção. Confira.

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Formado em jornalismo, 21 anos. Adora frases de impacto, sorrisos e situações nonsense. Escreve ficção casualmente, ama música, cinema, literatura, e essas coisas que tornam a vida melhor.

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