Mesmo depois de produções como O Que É Isso Companheiro?, Central do Brasil, Cidade de Deus, Lisbela e O Prisioneiro, O Homem do Futuro e O Palhaço, ainda há quem diga que o cinema nacional não tem qualidade. Tenho pra mim que se essas pessoas vissem As Aventuras de Agamenon – O Repórter mudariam de ideia.
O filme, escrito por Hubert e Marcelo Madureira, conhecidos pelo humorístico televisivo Casseta e Planeta, é uma pequena pérola do nosso cinema. Bem escrito e coerente, o longa é dono de um humor inteligente e tiradas inspiradas que fazem o público ter síncopes de risos. Conseguindo a façanha de nos colocar em igual posição a grandes produções de Hollywood, como o esfuziante Norbit e o maravilhoso As Branquelas, As Aventuras de Agamenon – O Repórter é, além de um bom longa, um retrato político e social do nosso país.
Com uma premissa que lembra bastante a de Forrest Gump – O Contador de Histórias, As Aventuras de Agamenon – O Repórter costura a vida de seu protagonista (vivido pelo sem graça Marcelo Adnet na primeira fase e pelo próprio Hubert na segunda metade) a acontecimentos históricos como a catástrofe do Titanic, a Segunda Guerra Mundial, a morte de Getúlio Vargas e até ao atentado de 11 de setembro. E sabe do melhor? A direção de Victor Lopes é tão hábil que consegue avançar no tempo e unir todos esses fatos aleatórios sem soar forçado ou falso. E faz isso de uma maneira sublime compondo quadros maravilhosos. É interessante perceber que ao invés de usar planos abertos – tão típicos do cinema -, Victor Lopes prefere trabalhar com enquadramentos mais fechados, explorando melhor as reações de seus atores e transmitindo assim uma sensação de familiaridade – enquanto assistimos, somos transportados para o sofá de nossa casa, em frente à tv.
Pensando bem, a coisa mais legal em As Aventuras de Agamenon – O Repórter não é nem isso, e sim o fato de ser absurdamente engraçado. Algumas das piadas são tão boas que são repetidas ao longo dos econômicos – porém eficientes – 74 minutos do filme. É realmente um prazer inenarrável ver boas piadas em um curto espaço de tempo, como por exemplo quando dizem que a tripulação do Titanic cantou música do Bob Marley, sendo que ele nem tinha nascido ainda e, em outro momento, quando Getúlio tenta negociar ações da Petrobras e Agamenon diz que a empresa não foi fundada.
O elenco de apoio é um show à parte. As Aventuras de Agamenon – O Repórter aproveita as várias participações especiais para agregar bons momentos e contribuir com a narrativa. Um claro exemplo disso acontece quando vemos Pedro Bial repetir o emblemático texto narrado durante a Queda do Muro de Berlim, em 1989, em uma sequência que mostra o fato de uma maneira mais… bem humorada. É tudo tão bem feito que sentimos orgulho em ver que o conceituado jornalista não só cobriu um fato histórico como também tem bom humor o suficiente para revivê-lo de um jeito mais debochado.
E é assim, com uma profusão de acertos, que As Aventuras de Agamenon – O Repórter se firma como um dos grandes filmes do ano.
Só que ao contrário.
Aliás, tudo que eu disse está ao contrário, porque, in fact, esse filme é terrível!
Interminável, chato, sem graça, televisivo (é impressionante como o diretor desconhece a linguagem cinematográfica) e estranhamente medonho. Nada funciona. A única a sair ilesa é Fernanda Montenegro, que faz a narração, e Leandro Firmino, o moço que ficou famoso por falar “Dadinho é o caralho! Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!“. E assim, embora o ano esteja só começando, duvido que algum outro longa consiga tirar o título de pior do ano desse As Aventuras de Agamenon – O Repórter.
As Aventuras de Agamenon – O Repórter, Victor Lopes, 2012.
As Aventuras de Agamenon – O Repórter. Com: Hubert, Marcelo Adnet, Marcelo Madureira, Nelson Motta, Luana Piovani, Fernanda Montenegro, Guilhermina Guinle, Ruy Castro, Paulo Coelho, Fernando Henrique Cardoso, Jô Soares, Pedro Bial e Leandro Firmino.



















Véi, quase que eu caio tbm, mas quando tu citou Norbit já entendi o propósito. HAHA
Hahaha! Arthur nunca me decepciona.
EU CURTO AS BRANQUELAS
Cara, eu trabalho no cinema e estava ate respeitando sua opinião nos primeiros momentos, mas depois comecei a te achar louco e depois virei seu fã com a forma como vc transformou o texto em uma bela piada!!!11 hahaha genio!
Esse filme é uma bosta e eu sou obrigado a assisti-lo todos os dias –’ ninguem merece mesmo a péssima atuação do elenco desse filme, do pessimo enredo, pessima produção, pessima trilha.. sinceramente.. vergonha! kkk-
Só adorei a cena da Marilyn Monroe cantando “Parabens, parabens, hoje é o seu dia…” com uma voz de piranha kkkkkkk-
Então é bem possível que ele seja indicado ao Framboesa de Ouro hehehehe
Comecei a ler e, apesar do meu bom senso, do trailer tosco e desse poster hediondo, fui procurar download. Cê tarra falando tão bem, né. Daí que achei o download, pus na lista e vim terminar de ler seu texto. Quando cheguei no “só que ao contrário”, vei, fiquei dividida entre te bater pq fui procurar o filme e morrer de rir da minha inocência. Pq né, tamo ae há quase uma década e eu ainda não sei perceber quando cê tá sendo irônico.
Fora isso, ótimo texto, Jão! Cuidado com as pessoas afobadas, tipo eu, que vão ler metade, procurar o filme e querer te matar depois. hahaha
Assim você me mata! hahahaha
Thiago Thiago, seu lindo! Huahauahua! Te juro que passei da metade do seu texto pensando: “Mas gente, no trailer esse filme parece ser uma porcaria! Deu até vergonha alheia no cinema quando eu vi…”
Ainda bem que minhas impressões foram confirmadas! Beeeeijo!
HAHAHAHAHAHAHA é que nesse verão eu quis fazer algo diferente. Sabe como é.
ahahahaha…
Você quase me convenceu na metade do texto a assistir o filme (o qual não me cativou nem um pouco pelo trailer). É pelo visto minha primeira impressão foi confirmada.
Obs.: Adorei esse texto, achei criativo a forma como escreveu. muito bom!
Ahhhh, que lindo! Muito obrigado pelo comentário, fiquei contente!