MIOLÃO • Cinema - Julie & Julia
 

Julie & Julia

Julie e Julia

Se tem uma coisa que pode estragar completamente a experiência de ver um filme, essa coisa chama “expectativa”. Mas tem como não criar expectativa quando você vai assistir ao novo filme de Meryl Streep, que é, sem dúvidas, uma das atrizes mais talentosas de todos os tempos?

Não, não tem. E toda ansiedade só aumenta quando a gente lembra que Nora Ephron, diretora responsável pelo projeto, tem em seu currículo uma das comédias românticas mais geniais feitas até hoje (ela escreveu Harry & Sally – Feitos Um Para o Outro) e que além de Meryl ainda há a encantadora Amy Adams (pegaram o trocadilho?! ela é a Princesa Giselle, de Encantada) no elenco.

Na noite de ontem fiquei realmente ansioso pelo que viria. E o que veio foi tão prazeroso de se assistir que quando acabou me senti até mais leve.

O filme começa mostrando a chegada de Julia Child (Meryl Streep) e seu esposo (Stanley Tucci, o Nigel, d’O Diabo Veste Prada) à Paris, em meados de 1940. A reconstrução de época e a brilhante trilha de Alexandre Desplat roubam um sorriso instantaneamente. Mas o maior prazer se dá quando vemos o casal num restaurante, saboreando um peixe. Essa emblemática cena é um momento chave para o ecantendimento de Julia. No alto de seus 1,88 de altura (?), a gigante se derrete de amor por seu marido, pela cidade e pelo prato, sendo levada quase as lágrimas ao prová-lo. Pronto. Agora já sabemos quem é Julia Child e somos enfeitiçados pela sua simpatia e carisma. Aliás, posso dizer sem medo que nada disso seria possível sem Meryl, que consegue desaparecer dentro da personagem e expressar os sentimentos mais sutis com pequenos gestos, paradas de respiração e olhares.

Num breve corte para o futuro, conhecemos Julie Powell (Amy Adams), uma mulher beirando os 30 que se muda para um apartamento horrível no Brookylin. Ao contrário de Julie, Julia parece infeliz com a mudança, mas aceita tudo por falta de uma opção melhor. Entendemos um pouquinho melhor sobre seu caráter quando a vemos num minúsculo cubículo atendendo ao telefone para falar com familiares das vítimas do 11 de setembro. Frustrada com a casa nova e com seu emprego, Julie encontra conforto nos braços do marido (interpretado por Chris Messina, o esposo de Vicky, em Vicky Cristina Barcelona) e na cozinha: ela sente prazer em cozinhar e chega a dizer que depois de um dia estressante cozinhar é seu único escape.

O plot do filme se desenrola quando Julie tem a idéia de criar um blog, ” The Julie/Julia Project”, e executar ao prazo de um ano as 564 receitas do livro da aclamada Child. A partir daí vemos Julie tentando encontrar seu caminho e ganhar confiança como escritora ao passo do sucesso do blog e, paralelo a isso, a luta de Julia para publicar seu livro.

Embora a trajetória de ambas nunca se encontre, percebemos uma ligação invisível nas histórias de ambas. E é esse equilíbrio e sensibilidade que fazem com que o filme consiga um resultado final tão satisfatório. Lá pelo meio do filme temos a sensação que ele demora mais para passar do que deveria, mas toda e qualquer má impressão desaparece completamente no final.

Julie e Julia, embora encantador em muitos aspectos, poderia ser um filme esquecível. Mas ele não é. Por mais que os ingredientes contribuam para uma boa receita, quem rouba a cena é Meryl. Possivelmente a atriz terá sua 16ª indicação ao Oscar por este filme. A construção de sua personagem é tão rica em detalhes que fica difícil não se deixar levar pela perfeição dela em cena. O sotaque, a habilidade corporal e a sutileza de seus traços são só alguns bons exemplos do porque ela é, como eu disse no começo, uma das melhores atrizes do mundo. O filme é dela e de mais ninguém. Portanto, amiguinhos, não esperem grandes coisas da(s) história(s). Mas esperem uma grande interpretação de uma grande atriz. Vale ser visto.

Ah! Já ia esquecendo. Uma coisa bem impressionante é que o filme é realmente inspirado em histórias reais. Quem quiser conferir a “verdadeira” Julia Child, é só clicar aqui e ver no Youtube um de seus vídeos. Quanto a Julie, sua história pode ser conferida no livro “Julie e Julia”, de sua autoria. Para saber mais, clique aqui. Ahhhh! E outra coisa BEM legal é a participação de Jane Lynch, a Sue Sylvester de Glee. Mas isso eu nem conto pra não estragar a surpresa. Mesmo com risco de me tornar repetitivo, digo de novo: assistam. Vale ser visto.

Julie & Julia, Nora Ephron, 2009.

 

Julie e Julia. Com Meryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci, Chris Messina, Jane Lynch, Linda Emond, Helen Carey e  Mary Lynn Rajskub.

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Publicitário, paulista e paulistano, 23 anos. Gosta de filmes, de música, de livros e de dizer coisas óbvias, como por exemplo falar que gosta de filmes, de música e de livros.

3 Comments on "Julie & Julia"

  1. may disse:

    Mééééélll déééélllzzz!!! Chorei no filme! Principalmente na parte que ela queimou a carne (ixi, podia falar?), cara, ela gastou um monte de carne e vegetais…que desperdício!

  2. Renato disse:

    Acho que eu vou gostar muito desse filme. Adoro a Meryl, é incrível como ela consegue se adaptar a personagens novos sem nunca “se repetir”, sabe. Surreal.

    “Frustrada com a cada nova”? Quis dizer “casa”? af

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  1. MIOLÃO • Aleatoriedades - Meryl Streep será… Clarice Lispector?

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