
O novo filme de Pedro Almodóvar, que estreiou em circuito comercial na última sexta-feira, basea-se em Harry Caine (Lluís Homar, de Má Educação) um roteirista de cinema cego que vive sozinho, contando apenas com o auxílio de sua produtora/amiga Judit (Blanca Portillo, de Volver) e o filho dela (Tamar Novas).
Aos poucos a trama se revela em nuances suaves, mais complexas do que se poderia supor.
Harry Caine é, antes de tudo, um homem que se converteu em personagem. E o filme é, antes de qualquer coisa, uma declaração de amor.
Harry é o pseudônimo de Mateo Blanco, famoso diretor de filmes. Ele enterra seu verdadeiro nome, sua carreira e toda sua vida para se ver livre do passado. Mas tudo muda quando Ray-X (Rubén Ochandiano), um jovem inquieto, bate em sua porta propondo parceria para um filme. A entrada do rapaz reaviva lembranças que não cicatrizaram e a partir daí a película ganha contornos mais densos, indo e voltando no tempo com uma leveza absurda. A construção da personagem de Mateo/Harry é tão bem elaborada que ficamos fascinados por sua vida.
No entanto, todo fascínio é roubado quando Lena, interpretada magistralmente por Penélope Cruz, entra em cena. Lena é um ser quase fantástico; uma mulher com traços absurdamente reais e ao mesmo tempo idealizados. Os problemas que Lena enfrenta com sua família, seu desejo em ser atriz e os encalços de sua vida, resultam numa personagem única e apaixonante. Embora nosso protagonista seja Harry, Lena é, sem dúvida, a alma do filme. É o amor e a obsessão que ela desperta que acaba unindo todas as pequenas tramas, culminando num final surpreendente e totalmente satisfatório.
Se Abraços Partidos fosse um filme mudo ele seria simplesmente genial. É notável e digno de aplausos a maneira com que Almodóvar filma: os planos elegantes, a paixão por Penélope, as cores vivas, a falta de cores e os closes contribuem para que o espectador não apenas veja o filme, mas o sinta em todos os sentidos. Cenas como a de que Lena chora sobre os tomates ou aquela em que Lena “dubla” a sí mesma enquanto seu marido a assiste são de um apuro estético que transcendem qualquer barreira de linguagem.
Mas nem só de imagens se faz um filme. É divertido perceber como em dados momentos as histórias são colocadas em segundo plano para que a beleza das cenas se sobressaia. Assim como é incomodo notar que às vezes há sequências inteiras sem razão e nem por que. Talvez tenha sido esses pequenos luxos que Pedro se permitiu que fizeram que seu filme fosse esnobado em Cannes. Tanto faz. No fim das contas, a sensação que fica é de que todo deslize é pouco importante: Abraços Partidos é cinema em seu estado mais bruto.
Los Abrazos Rotos, Pedro Almodóvar, 2009.
Abraços Partidos. Com Lluís Homar, Penélope Cruz, Blanca Portillo, Tamar Novas, Rubén Ochandiano, José Luis Gómez, Lola Dueñas e Ángela Molina.


















Fui até o cine, consegui ver partes do filme. Mas tava mesmo interessado mesmo em outras coisas. Ah.. eu vi quando a Penelope morre.. não curti. =/
Vou querer ver, mas é estranho: o que eu ouvi falar de “Los Abrazos Rotos” não me empolgou tanto. Seu comentário me animou, de qualquer forma.