MIOLÃO • Cinema - O Homem do Futuro
 

O Homem do Futuro

“O mocinho regressa no tempo e tem a chance de modificar alguma coisa e muda. E aí ele deixa uma marca indelével no futuro quando modifica o passado, criando um paradoxo no tempo e espaço.”

A descrição acima pareceu familiar?

É, eu sei. Já decoramos a taboada. Mas mesmo assim a gente insiste porque, além de mexer com nosso lado lúdico e exibir possibilidades, sabemos que na maioria das vezes o resultado é bastante satisfatório. De O Exterminador do Futuro a Efeito Borboleta ou de De Volta Para o Futuro a Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban; a gente sabe o que esperar e tem, de alguma maneira, noção de como as coisas vão acabar.

O Homem do Futuro, terceiro filme de Cláudio Torres, que além de diretor é roteirista, é um mix de tudo que a gente já viu por aí. Contando a história de Zero (Wagner Moura), um cientista que desenvolveu uma fonte de energia ilimitada e que, acidentalmente, voltou vinte anos no tempo, O Homem do Futuro mostra Zero se encontrando consigo mesmo a fim de impedir de que ele seja humilhado por aquela que acredita ser o amor de sua vida (Alinne Moraes). Absorvendo todos os clichês do do filão de filmes de viagem no tempo – que vão desde a famosa cena em que o protagonista anima um baile de De Volta Para o Futuro até o vislumbre de um presente aterrador consequência de supostas melhorias feitas no passado como em Efeito Borboleta -, O Homem do Futuro estaria fadado ao fracasso se primasse (e primassemos) apenas por originalidade. Mas não é o caso.

O longa é uma diversão honesta, simpática e repleta de bons momentos. Tecnicamente impecável, a produção não deixa devendo absolutamente nada para seus primos ricos de Hollywood: os efeitos especiais, pra lá de caprichados e absurdamente lindos, funcionam em favor da narrativa, fazendo com que, no fim das contas, toda a viagem no tempo e ficção imaginária sejam apenas ferramentas para uma história de amor.

Dono de um apuro estético ímpar, Cláudio Torres filma planos elegantes e coloridos, imprimindo na narrativa uma beleza que transcende as palavras. Mesclando com maestria flashbacks vívidos com uma realidade frustrante e massacrante, ele revela pouco a pouco os tormentos de seu protagonista e nos transporta, num tom de sonho, para dentro de sua história.

É claro que o filme, como quase todos os filmes, tem defeitos. A já citada previsibilidade, alguns buracos no roteiro e uns absurdos que a gente engole (como por exemplo Zero conseguir lembrar do resultado de um jogo de futebol, 20 anos depois). Mas as qualidades são tão maiores que minimizam os problemas até quase desaparecerem.

Coadjuvando lindamente, Alinne Moraes, que tem como principal papel ser bonita, dá conta do recado como o amor do cientista, seduzindo não só ele mas o espectador. O elenco de apoio conta ainda com os nomes de Gabriel Braga Nunes (como vilão, vejam só!), Fernando Ceylão e a maravilhosa Maria Luísa Mendonça – todos muito bem em cena. Mas, verdade seja dita, o filme só é o que é por causa de um homem: Wagner Moura. Tal imersão na história só é possível graças a ele, que dá vida a três versões de um mesmo personagem, de um jeito que beira o sublime. Compondo retratos complexos e críveis, Wagner consegue ser vilão, herói e mocinho com a mesma desenvoltura. Atuando com todas as partes de seu corpo (reparem que o ator modifica sua postura e gestual em cada “fase” de seu personagem), ele não só convence como conquista nossa simpatia – e antipatia – ao longo da sessão.

… Viagens no tempo. Tá aí um tema que o cinema adora. E a gente também.

O Homem do Futuro, Cláudio Torres, 2011.

O Homem do Futuro. Com: Wagner Moura, Alinne Moraes, Maria Luísa Mendonça, Gabriel Braga Nunes e Fernando Ceylão.

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Publicitário, paulista e paulistano, 23 anos. Gosta de filmes, de música, de livros e de dizer coisas óbvias, como por exemplo falar que gosta de filmes, de música e de livros.

4 Comments on "O Homem do Futuro"

  1. Mayara disse:

    Achei espetacular o filme. O Wagner Moura dá um show (de interpretação) juntamente com a Alinne Moraes (sem trocadilhos, haha). E não tem como não comentar sobre a trilha sonora, realmente incrível :) eu já quero ver de novo e de novo. Aliás, impossível não sair da sala cantarolando Legião e/ou Radiohead.

  2. Stella Ferreira disse:

    Quando vi o cartaz e o trailer do filme pensei:”isso deve ser uma porcaria,mesmo tendo o Wagner Moura e Alinne Moraes.”Lendo a tua resenha me deu uma animada,deu um empurrãonzinho para assistir.Vou tirar minhas próprias conclusões :)

  3. Stella Ferreira disse:

    Quando vi o cartaz e o trailer do filme pensei:”isso deve ser uma porcaria,mesmo tendo o Wagner Moura e Alinne Moraes.”Lendo a tua resenha me deu uma animada,deu um empurranzinho para assistir.Vou tirar minhas verdadeiras conclusões :)

  4. Sanny disse:

    Ah Wagner Moura, que explêndido tu és!!

Tem algo a dizer? Então diga!

 

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