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Sex And The City 2

Sempre me simpatizei com Sex and the City, apesar de ser um conhecedor apenas “intermediário” de seu universo: adoro o livro que originou a série, que por sinal vi apenas uma temporada completa e alguns episódios avulsos. Considero tudo bastante divertido, por vezes pertinente e em alguns momentos bem bobo, apenas distração, sem abstração. Adoro as peripécias das quatro garotas (garotas?) de NY, seus momentos mais dramáticos e também suas confissões mais ousadas, que geram reflexões (mesmo que as vezes somente leves) sobre o comportamento moderno de um determinado grupo de pessoas e arrancam risadas sutis.

Ah, gostei do primeiro filme que chegou aos cinemas também. Talvez por não estar atado à série como um fã incondicional estaria, achei que ele equilibrou os diversos elementos que uma comédia romântica mais adulta consistente possui com muito charme. Fiquei feliz de saber que teria uma continuação.

Sex and The City 2, porém, nos faz concluir que os produtores deviam pensar muito melhor antes de terem a idéia de filmar uma sequência para algo que até então estava dando muito certo: a verdade é que o longa, que chegou aos cinemas brasileiros há pouquíssimo tempo transforma o universo do quarteto numa chatice gigantesca. O charme e a competente mistura de drama e comédia foram soterrados num filme longo e muito mais raso do que deveria ser: sai a abstração e fica somente a distração. E das mais comuns.

A história continua dois anos depois dos acontecimentos do primeiro longa: as protagonistas, buscando a solução para novos problemas pessoais e o tédio que toma conta de suas vidas em determinado momento, decidem se unir e partir para Abu Dhabi, procurando respostas e confrontando novas experiências. O filme foca em todos os pontos fracos da trama e “esquece” de aproveitar coisas que poderiam gerar um resultado muito mais satisfatório. É uma série de acontecimentos rápidos que vão se sucedendo… e que no fim das contas parece nada.

Outra dificuldade, pra mim, foi simpatizar com Carrie/Sarah Jessica Parker nessa continuação: a personagem está exageradamente chorona, com voz de criança e parece egoísta e reclamona demais mesmo quando está com a razão. As situações que acontecem com a escritora são – ou deveriam ser – o clímax do filme. Não convencem. Só essa falta de identificação com ela já arranha o desempenho da produção. É difícil se deixar envolver por uma história quando você não acredita no protagonista.

Miranda, dessa vez subestimada no ambiente profissional e dividida entre a família e o trabalho, virou quase uma coadjuvante: aparece rindo em todas as cenas, nem sempre com algo a acrescentar e com as questões de seu dilema principal, relevante, subestimadas. Em algumas cenas parece que resolveram sacanear a personagem até no figurino… Os conflitos de Charlotte – cansada da rotina de mãe dedicada e notando que não é a “Amélia” que imaginava ser – são um pouco melhor desenvolvidos: o público consegue entender o dilema e o desconforto sentido por ela, que são bastante normais, embora ela própria não saiba.

E temos, claro, Samantha, em crise com uma das coisas que chegam em nossas vidas e não dá controlar: a idade. A personagem, fiel a sua essência, rouba a cena em todos os momentos, como sempre, geralmente nas poucas cenas realmente bem sacadas.

De resto, nada que salta aos olhos: a ostentação e o glamour das personagens nunca pareceram tão cansativos e cafonas. O filme é cheio de paisagens deslumbrantes, cenas em câmera lenta do quarteto vestido como um carro alegórico usando os acessórios de maior renome, festas deslumbrantes, que naturalmente chamam a atenção. Mas isso por si só não vale: ficamos com falta de algo mais firme, algo pra segurar todas essas estruturas. Coisa que falta e que já tivemos antes em Sex and the City.

Lógico que é bom saber “o que acontece a seguir” mas existem maneiras mais interessantes de mostrar a evolução das personagens de uma franquia. As moçoilas, que sempre foram consideradas modernas, já não são mais tão jovens e rendem-se à diversas convenções sociais e o o risco de retratá-las nas telonas torna-se duplo, transitando entre o dilema de fugir do tradicionalismo extremo e da sensação de que elas estão tentando se manter presas a uma “eterna” juventude. Dessa vez, foi uma confusão. Teremos um terceiro longa? É esperar pra ver.

Sex and the City 2, Michael Patrick King, 2010.
Sex and The City 2. Com Sarah Jessica Parker, Kim Catrall, Kristin Davis, Cynthia Nixon e Chris Noth.

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Formado em jornalismo, 21 anos. Adora frases de impacto, sorrisos e situações nonsense. Escreve ficção casualmente, ama música, cinema, literatura, e essas coisas que tornam a vida melhor.

9 Comments on "Sex And The City 2"

  1. Cássia disse:

    O pessoal daqui tem necessidade de auto afirmação… Gente isso é feio… Vamos apenas deixar o pessoal comentar a vontade… Fica mais profissa! A troca com o público acontece com você escrevendo melhor e não se justificando.
    Não curti a critca, achei a faltou muitooo conhecimento, como em algumas coisas do blog. Mas tem outras que vocês mandam bem… =)

  2. Adoro disse:

    A crítica do filme se mostra verdadeiramente sem conhecimento sobre a série. E precisa ser muito, mega, ultra mulher pra entender um pouquinho só do que rola. Aliás frescuras entram neste genêro também. Agora já não posso comentar da crítica inteira, porque fiquei meio enjoada já na metade. Carrie chata, Miranda liberta de algo que sempre a fez mal na série, Samantha mais necessitada como nunca e Charlotte mega cansada de tudo? É óbvio que isso chega numa etapa da vida onde você tenta ser demais algo e cansa ou exagera… Você precisa refletir um pouquinho mais, às vezes nossa mente é que não se estica o suficiente… ;)
    Mas seu post foi um sucesso. Dos dois lados.

    • Renato disse:

      Só um adendo: eu não falei mal da situação da Charlotte – disse que seu problema era completamente normal e só ela não sabia disso. Mas pode ser que você não tenha visto, já que não leu a critica inteira.

      De qualquer forma ,agradeço o retorno: esse tipo de troca faz a gente melhorar da próxima. :)

  3. Márcio disse:

    bom, o primeiro filme realmente é o melhor, agora querer criticar a personalidade das quatro personagens, sem não ter visto as SEIS temporadas é pecado.
    Todo mundo que acompanhou a serie sabe que a Carrie sempre foi chata, sabe que a miranda sempre foi Sarcastica e descrente com tudo e ve-la de uma maneira sorridente e toda feliz foi totalmente interessante, Charlotte como sempre, perfeita, não sabia lidar com a vida que sempre sonhou,
    Samantha, como se propoz no final do primeiro filme, solteira como sempre.

    Descordo com a sua critica, talvez experimente ver todas as temporadas o primeiro filme e o segundo, quem sabe você entenda o que se passa com as garotas.

    Obs: eles deram o que as pessoas queriam uma comedia, que lembra muito o desenrolar da serie, o primeiro foi drama e todo mundo reclamou.. enfim

  4. Joseph disse:

    Estraordinária a ‘critica’ feita ao filme… Concordo com redundância nas opnões dadas sobre o filme, mostra pouco a caracteristica da vaidade feminina que SEMPRE foi relatada.
    Um outro “erro” foi na criação do poster, era pra mostrar melhor de como seria a continuação, o poster MUITO bem bolado, glamuroso e excêntrico, dessa vez deixou a desejar com relação ao conteudo.
    Com relação a essa catastrofe? acho que os fans vão superar!

  5. Nate disse:

    Eu gostei de Sex And The City 2, nao pela história do filme,claro. Mas pelas piadas bem sacadas e pelo desenvolvimento do filme, que fez parecer que o filme todo nao passou de uma hora.

    Concordo que a história poderia ter sido melhor desenvolvida, mas aí eu realmente nao saberia como fazê-lo.

    Enfim, saí do filme satisfeita pelo que ele se propos a fazer.

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