Nós do Miolão pensamos em algumas cenas musicais para homenagear Judy Garland hoje, no aniversário de 42 anos de sua morte. Mas não conseguimos deixar de lado aquele momento que alçou a atriz a categoria de celebridade e fez sua imagem impregnar-se no imaginário do público para sempre.
Mesmo com tantos papéis que viriam a seguir, Judy nunca seria esquecida por essa interpretação. Chamada Frances Ethel Gumm, a moça tornou-se um dos nomes mais expressivos de todos os tempos nas telonas, e transitava com desenvoltura entre esse ambiente e o mundo dos palcos – possuía inegável carisma, presença e cantava muito bem, como diversos discos lançados (e musicais) comprovam.
Escrita por E.Y. Harburg, Over The Rainbow narra a busca infindável de um personagem por um lugar onde a vida, mais do que a forma como ele a conhece, é etérea, mágica, cheia de gostos diferentes e inusitados. O registro também explicita perfeitamente o que sente Dorothy, a protagonista de O Mágico de Oz, vivida pela nossa homenageada.
Na cena, Garland interpreta a canção com um tom bastante pueril. A jovem menina da ficção almeja fugir para longe diante da aparente indiferença das pessoas com quem convive em relação aos seus pequeninos problemas. Junto ao seu cão, Toto, ela canta sobre o dia em que esses contratempos irão desaparecer como balas de limão.
Over The Rainbow possui todos os méritos para prosseguir sendo relembrada sem que soe datada – e mais importante, com a mesma relevância. É daquelas faixas que merecem ser revisitadas diversas vezes – e no caso, ela é. Quem nunca a ouviu (algo até difícil de imaginar) deveria fazer isso uma, duas, três vezes, e mantê-la conservada em sua mente. Enche o espírito, comove e sua mensagem nunca perde a força – porque no fim das contas, todos nós nos identificamos com a mesma de certa forma.
Se a atriz possuía tantos atributos e méritos em sua vida, o lado negro dos seus dias também era intenso: cresceu num lar repleto de desavenças, sob os cuidados de uma mãe controladora e um pai de pouca atitude. Por ter ingressado na carreira artística ainda cedo, sentiu as delícias e pressões do meio com muita intensidade desde pequena. Insegura quanto ao seu próprio talento e aparência, passou por uma série de casamentos frustrados, crises de depressão, rejeições da indústria cinematográfica e tentativas de suicídio – até sua morte por megadosagem de medicamentos, em 22 de junho de 1969.
Nos seus últimos anos, Judy, mesmo perante as adversidades, ainda mostrava a vontade de expressar-se artisticamente. Após o declínio de sua carreira cinematográfica, cantou até os últimos dias em performances e programas de TV, com sua voz então cansada mas ainda brilhante, como se mostrasse todas as marcas que os anos de agruras deixaram.
Se ela buscava admiração, conseguiu. Hoje, a atriz é lembrada por seu talento incomparável, por ser ícone de uma geração onde as estrelas eram multifacetas e glamourosas, e por uma inocência e perseverança que a fez perseguir o seu lugar além do arco-íris mesmo quando tudo a desarmava.
Cheers, Judy!



















UAU!!! Gostei especialmente desse post!!! Além de falar de forma carinhosa e apaixonada sobre um ícone da cultura musical, também me lembrou de todas as versões de “Over de Raimbow” que já escutei até agora e foram muitas, mas a que me veio com mais emoção foi a feita por Glee na última cena no final da primeira temporada…
De fato uma música especial para alguém que além de ter marcado história, merecia tê-la como seu tema de vida.